Petrobras retomará obra em fábrica de fertilizante parada desde a lava-jato
O Conselho de Administração da Petrobras aprovou a retomada das obras na Unidade de Fertilizantes ...
O Conselho de Administração da Petrobras aprovou a retomada das obras na Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN III), em Três Lagoas, Mato Grosso do Sul. A estatal prevê investir cerca de US$ 1 bilhão (quase R$ 5 bilhões) para concluir o empreendimento, que foi suspenso após a Operação Lava-Jato revelar casos de corrupção em projetos da estatal. Estima-se que a empresa já tenha gasto cerca de R$ 3 bilhões na unidade , que está oficialmente "hibernando" desde 2015.
O Brasil é uma potência agrícola, mas importa cerca de 80% a 90% dos fertilizantes que utiliza. Em 2025, o país consumiu volume recorde de 45,5 milhões de toneladas. A relação do produto com o petróleo é direta. O gás natural é a principal matéria-prima para a produção de nitrogenados, como a ureia e a amônia. Desde o início da guerra no Irã, com a disparada do petróleo, os preços dos fertilizantes já subiram aproximadamente 30%, segundo estimativas. O início das operações comerciais da UFN III está previsto para 2029 " o empreendimento já está com cerca de 80% das obras concluídas.
reduzir VULNERABILIDADE
A capacidade está projetada em cerca de 3.600 toneladas por dia de ureia e 2.200 toneladas por dia de amônia.
" O Brasil ainda importa grande parte dos fertilizantes que consome, o que torna o agronegócio vulnerável a choques externos, como crises geopolíticas e variações cambiais. Projetos como a unidade da Petrobras em Mato Grosso do Sul são fundamentais para dar mais previsibilidade de custos ao produtor rural e fortalecer a competitividade do agronegócio brasileiro " diz Jorge Renato de Andrade, professor da Universidade Federal de Pernambuco.
Durante a gestão de Jair Bolsonaro, a estatal chegou a conversar com o grupo russo Acron para a venda da fábrica, sem sucesso.
As unidades de fertilizantes voltaram ao radar da Petrobras após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva iniciar o terceiro mandato. Antes da UFN III, a Petrobras já havia retomado a produção na Araucária Nitrogenados, subsidiária no Paraná, e nas fábricas de fertilizantes na Bahia e em Sergipe, que estavam arrendadas para o Grupo Unigel.
" Ao retomar os investimentos nesse segmento, fortalecemos a integração com o agronegócio e contribuímos diretamente para a redução da dependência do país em relação à importação de fertilizantes " afirma o diretor de Processos Industriais da companhia, William França.
ALERTA SOBRE CUSTOS
Claudio Ribeiro, da consultoria CR Agro, avalia que a retomada de projetos da Petrobras na área de fertilizantes pode diminuir a dependência externa, mas não será capaz de reduzir o volume de importações. Além disso, há o desafio de ter gás natural a preços atrativos para a produção de matérias-primas. A ideia da estatal é usar o gás do pré-sal.
" Quando os projetos estiverem a pleno vapor, a Petrobras conseguirá produzir até 35% do total, mas ainda vamos ser dependentes do exterior. Os projetos da estatal são importantes, mas, se olharmos o caso do empreendimento em Três Lagoas, os custos são elevados, pois a unidade ficou muito tempo parada. Então, isso vai exigir muitos investimentos. Ainda há muitos desafios, e a estatal precisa desenhar um projeto que viabilize o uso de um gás a preços competitivos " afirma Ribeiro.
A diretora de Engenharia, Tecnologia e Inovação da Petrobras, Renata Baruzzi, garante que o projeto é 100% viável e atrativo economicamente:
" Todo o processo de aprovação final de investimentos foi submetido às análises requeridas, respeitando rigorosamente as práticas de governança corporativa e os normativos internos vigentes. Trata-se de um projeto tecnicamente robusto, economicamente viável e plenamente aderente às diretrizes de disciplina de capital e governança da companhia.