Botafogo entra com pedido de recuperação judicial da saf e esquenta jogo político
em chamas
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A SAF do Botafogo protocolou, no final da noite da última terça-feira, junto ao Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ), um pedido de recuperação judicial. A empresa deu entrada com uma medida cautelar preparatória para iniciar o processo. O movimento já vinha sendo discutido nos bastidores do alvinegro há, pelo menos, duas semanas. A ação representa o primeiro passo formal dentro da estratégia desenhada pela gestão para reorganizar o passivo e ganhar fôlego no curto prazo.
A iniciativa faz parte do plano conduzido por John Textor, que segue mantido na administração da SAF com base em liminar expedida pela Justiça do Rio, e vinha sendo tratada com ressalvas por diferentes atores ligados ao clube, incluindo representantes do associativo e investidores. A recuperação judicial é vista como uma ferramenta para proteger a operação do Botafogo enquanto o clube-empresa busca reequilibrar seu fluxo financeiro, especialmente em meio a disputas e pressões envolvendo compromissos recentes. Está prevista uma assembleia geral no dia 27 para tratar dessas questões.
proteção por 60 dias
Na prática, a medida abre caminho para um eventual pedido completo de recuperação judicial e já serve como instrumento de proteção imediata, e com duração de 60 dias, contra execuções e bloqueios, além de reduzir riscos esportivos. Nesse sentido, punições com transfer bans que já estão em andamento " a da Fifa por dívida com o Ludogorets, e da Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD), por atraso no pagamento de parcela de R$ 1,3 milhão " não podem ser renegociadas. Mas as que estão por vir, sim.
Além disso, na mesma medida cautelar, a SAF do Botafogo pediu a suspensão temporária do direito de voto do acionista majoritário, que é a Eagle Bidco, administrada judicialmente pela Cork Gully. Segundo o alvinegro, a empresa tem, por diversos meses, "usado essa posição para obstruir a chegada de novo capital ao clube". O pedido foi postergado pelo Juízo, que deseja ouvir a Eagle antes de tomar uma decisão.
Na visão da Eagle e do clube social, por sua vez, John Textor tenta atrapalhar qualquer possibilidade de resolução do imbróglio entre as partes a partir de sua saída da SAF, que poderia abrir a possibilidade de um acordo e a revenda para outro interessado " existem negociações em andamento neste sentido, tanto por parte da Cork Gully quanto da ala associativa do Botafogo.
A Eagle Bidco entende ainda que, assim que Textor deixar a SAF, o Botafogo ganhará valor e poderá se reorganizar através do recebimento de quantias em aberto entre os clubes da empresa.
R$ 2,5bilhões em dívidas
Como argumentação para o pedido de recuperação judicial da SAF do Botafogo, os advogados dos escritórios Salomão Advogados, Basílio Advogados e Fux Advogados alegaram que há um verdadeiro caos financeiro na empresa. Só no curto prazo, houve o apontamento de que a dívida a ser paga até o fim do ano é de R$ 1,4 bilhão. No total, o passivo apontado é de mais de R$ 2,5 bilhões, sendo R$ 400 milhões em dívidas tributárias. Há, além disso, a falta de recursos "para o pagamento integral da folha salarial do próximo mês".
Outra questão que indica a crise financeira do Botafogo é a iminência do surgimento de novas punições de transfer ban. O clube tem pagamentos em aberto com diversos clubes do exterior, como Krasnodar-RUS (Kaio Pantaleão), Benfica-POR (Arthur Cabral), Zenit-RUS (Artur, atualmente emprestado ao São Paulo) Udinese-ITA (Matheus Martins) e New York City-ING (Santiago Rodríguez).