Geraldo azevedo não faz música regional, mas sim música brasileira
O querido Geraldo Azevedo, 81 anos, compositor, cantor e violonista, está lançando esta ...
O querido Geraldo Azevedo, 81 anos, compositor, cantor e violonista, está lançando esta semana o novo álbum "Oitentação", pela Altafonte, ao mesmo tempo em que coloca os pés na estrada numa nova turnê. Além de João Pessoa, ontem, o autor de sucessos como "Dona da minha cabeça", "Moça bonita" e "Bicho de sete cabeças" fará shows em seis outras capitais " incluindo o Rio, no dia 29 de maio, no Vivo Rio.
O artista não cansa de relembrar a importância de João Gilberto (1931-2019) na sua opção pela música, abandonando pelo meio o curso de Arquitetura. Aliás, o pai da bossa nova nasceu na cidade baiana de Juazeiro, separada da pernambucana Petrolina, onde Geraldo nasceu, apenas pelo Rio São Francisco. "Quando ouvi João Gilberto cantar, entendi que eu também podia cantar", diz: "Aquilo foi uma revelação para mim, porque antes os cantores tinham uma impostação muito diferente, vozes mais fortes, mais projetadas, ao contrário de João, que chegou com aquela forma mais natural, mais íntima, e abriu um caminho".
Geraldo Azevedo, mesmo com toda esta influência de João e da bossa nova, optou por um tipo de música mais apegada às suas raízes nordestinas. "Minha música vem do lugar onde eu nasci, do sertão, das minhas referências", explica.
Mas, a exemplo de outros grandes artistas nordestinos, como a baiana Daniela Mercury, só para ficar num exemplo, o rótulo de artista regional o incomoda: "Quando falam em música ‘regional’, eu sempre penso: ‘Regional para quem?’ Afinal, a música que a gente faz no Nordeste é parte fundamental da música brasileira, não é um pedaço separado".
Para ele, entretanto, esta visão distorcida vem mudando: "Tem muita gente abrindo caminhos, e vai continuar abrindo". Oba!