Trio de técnicos portugueses toma conta da elite econômica do futebol brasileiro
tanto mar
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O sucesso de Jorge Jesus em 2019 à frente do Flamengo rompeu barreiras para os treinadores portugueses no futebol brasileiro. De lá para cá, é verdade que eles já estiveram em maior número, e até fizeram os estrangeiros serem maioria entre os 20 principais clubes do país " em 2023, a Série A chegou a ter 11, sendo sete lusitanos e quatro argentinos. Mas a atual temporada traz um novo elemento.
São cinco portugueses atualmente no Brasileirão, ou 25% da Série A, que tem 12 brasileiros e oito estrangeiros. Destes, três lideram as principais forças econômicas e líderes do último campeonato: Flamengo, Palmeiras e Cruzeiro. Leonardo Jardim, Abel Ferreira e Artur Jorge tocam trabalhos em momentos diferentes, mas carregam altas expectativas " também fazem parte deste grupo Luís Castro (Grêmio) e Franclim Carvalho (Botafogo).
Flamengo tem 82%
Destaque no Cruzeiro em 2025, Jardim passou alguns meses fora do futebol antes de ressurgir no Flamengo. O treinador de 51 anos sempre foi um dos nomes favoritos do presidente Luiz Eduardo Baptista, e não hesitou ao assumir o trabalho vitorioso de Filipe Luís " atual campeão da Libertadores e do Brasileirão ", encerrado de maneira controversa.
Em quase dois meses, garantiu o título carioca, arrefeceu o clima nos bastidores do Ninho do Urubu e tem evoluído a equipe aliando bom desempenho a bons resultados " com sete vitórias seguidas, tem um aproveitamento de 82%.
Abel é dono de uma trajetória totalmente fora da curva em meio ao imediatismo do futebol brasileiro. Anunciado pelo Palmeiras em outubro de 2020, acabou de completar dois mil dias de um trabalho que é o quinto mais longevo já feito no país e o mais vitorioso da história do clube, com 11 títulos. O contrato vai até o fim de 2027, e o profissional de 47 anos parece não querer ir a lugar nenhum, contando com aval da presidente Leila Pereira e de boa parte da torcida.
Já Artur Jorge fez um sucesso meteórico com o Botafogo em 2024, coroado com os títulos da Libertadores e do Brasileirão, e voltou neste ano após passagem pelo Al-Rayyan, do Catar. O Cruzeiro fez o anúncio no fim de março, com direito a renovação surpresa em meados de abril " o vínculo agora irá até o final de 2030. O treinador de 54 anos é visto pela diretoria como nome ideal para receber carta branca e conduzir um projeto de longo prazo em todas as áreas do clube.
" Essa decisão, em conjunto com o Artur, é porque a gente confia no potencial dele. É um grande líder, um grande técnico e precisamos ter um alicerce para trabalhar " explicou Pedro Lourenço, dono da SAF celeste. " Para nós, é um privilégio enorme tê-lo aqui. Vamos segurar ele um tempinho mais. Hoje, está todo mundo atrás dos grandes profissionais.
Com quatro meses de temporada, Palmeiras e Flamengo já fazem jus ao posto de favoritos a todos os títulos, enquanto o Cruzeiro começa a dar sinais de recuperação após meses conturbados com Tite.
Mesmo escritório
E a tendência é que, como aconteceu com Jardim e Artur, os treinadores portugueses não parem de ter espaço por aqui. O trio à frente de cariocas, paulistas e mineiros é agenciado pelo mesmo grupo. Seus principais empresários são Hugo Cajuda e Bruno Santos, portugueses que têm agências diferentes, mas trabalham em parceria.
A dupla levou Paulo Sousa ao Flamengo em 2022 e, mais recentemente, o argentino Martín Anselmi para o Botafogo. Um efeito dessa teia de transações é que Franclim Carvalho, anunciado pelo alvinegro no início do mês, era auxiliar de Artur Jorge.
A chegada de Jardim ao rubro-negro ainda foi facilitada porque o diretor de futebol José Boto, mais um português, conhece os compatriotas há algum tempo. Na apresentação do treinador, em março, o dirigente estava lado a lado com Hugo e Bruno no Ninho do Urubu.
Muitos outros nomes passaram recentemente pelo Brasil, como Renato Paiva, Bruno Lage e Vítor Pereira, que viveram insucessos em Botafogo e Flamengo, e Ricardo Sá Pinto e Álvaro Pacheco, que não deixaram saudades no Vasco. Aos 64 anos, Luís Castro não faz parte da mesma geração dos atuais compatriotas no Brasil, mas ganhou terreno no país por conta do seu tempo no alvinegro, entre 2022 e 2023. Antes de chegar ao Grêmio, passou por Al Nassr (Arábia Saudita) e Al Wasl (Emirados Árabes Unidos).