Arrecadação de impostos em março soma r$ 229,3 bilhões
A arrecadação de impostos e contribuições federais somou R$ 229,3 bilhões em março, informou ontem ...
A arrecadação de impostos e contribuições federais somou R$ 229,3 bilhões em março, informou ontem a Receita Federal. O valor representa uma alta real (já descontada a inflação) de 4,99% em relação ao mesmo mês do ano passado (R$ 209,7 bilhões) e é o melhor resultado para meses de março desde 2000. Em fevereiro, foram arrecadados R$ 222,1 bilhões.
No primeiro trimestre, entraram nos cofres públicos federais, por meio da arrecadação de tributos, R$ 777,1 bilhões, também o maior valor para o período desde 2000, com crescimento real de 4,58%.
A arrecadação continua se beneficiando da renda do trabalho. As chamadas receitas previdenciárias, que incidem sobre salários, somaram R$ 61,8 bilhões em março, com avanço real de 4,95%.
O desempenho reflete o aumento da massa salarial e a expansão do emprego formal, que ampliam a base de contribuintes e, consequentemente, a arrecadação. Além disso, a reoneração da folha de pagamento de empresas e municípios influencia o resultado.
Receita previdenciária
O Imposto de Importação e o IPI vinculado à importação também contribuíram para o resultado de março. Juntos, os tributos somaram R$ 12,7 bilhões no mês, um avanço de 31,56%, já desconsiderando a inflação.
Esse desempenho é explicado pelos aumentos de 37,92% na alíquota média efetiva do Imposto de Importação, de 34,51% na alíquota média efetiva do IPI-Vinculado e de 21,69% no valor em dólar (volume) das importações, combinados com o decréscimo de 8,97% na taxa média de câmbio.
Já o IOF apresentou uma arrecadação de R$ 8,4 bilhões no terceiro mês de 2026, um avanço real de 50,06% ante março de 2025, efeito do aumento do tributo em maio do ano passado.
No trimestre, a receita previdenciária (alta real de 5,37%) e o IOF (aumento real de 44,45%) também contribuíram positivamente. Destacou-se ainda a arrecadação de PIS/Cofins (crescimento real de 5,6%), em função do bom desempenho de comércio e serviços de janeiro a março, da recuperação da arrecadação das áreas inseridas no programa emergencial de serviços e dos setores de combustíveis, serviços financeiros, gás e eletricidade, assim como do Simples Nacional.
Contribuiu também a receita com o Imposto de Renda Retido na Fonte com rendimentos de capital, com expansão de 20,4%, já descontada a inflação.
Com relação à nova tributação de 10% sobre os dividendos acima de R$ 50 mil mensais e nas remessas de lucros ao exterior, a Receita informou que a arrecadação atingiu R$ 464 milhões no primeiro trimestre " somente em março foram R$ 308 milhões.
Dúvidas sobre dividendos
O desempenho é considerado fraco para um ano em que o governo projeta arrecadação de R$ 30 bilhões com a nova taxação, que, em tese, deveria compensar a isenção de Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil e a redução desse tributo para a faixa entre R$ 5 mil e R$ 7,350 mil.
O chefe do Centro de Estudos Tributários e Aduaneiros da Receita, Claudemir Malaquias, no entanto, afirma que não é possível dizer, com base nos dados do primeiro trimestre, que a projeção não será alcançada. Segundo ele, a distribuição dos lucros não é linear ao longo dos meses e depende de outros fatores, como a disponibilidade de caixa. Para Malaquias, antes do fim do terceiro trimestre será difícil ter clareza sobre o desempenho desse novo tributo.
Contudo, as antecipações de distribuição de lucros feitas no fim de 2025 parecem estar pesando na arrecadação. Além disso, a rigor, boa parte das empresas pode estar praticando um planejamento com seus acionistas e pagando dividendos abaixo do mínimo de R$ 50 mil ou mesmo recorrendo à chamada distribuição disfarçada de lucros (na qual se pagam despesas pessoais dos sócios para diminuir o lucro a distribuir, o que é vedado pela Receita), minando a arrecadação. Era algo que muitos especialistas apontavam como um risco concreto.