Penduricalhos: dino diz que há novas ‘assimetrias’ e ‘criatividades’
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, afirmou ontem que "já há novas ...
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, afirmou ontem que "já há novas assimetrias" no Judiciário após a decisão da Corte que limitou o pagamento de penduricalhos para magistrados e integrantes do Ministério Público. Segundo Dino, tais "assimetrias" se formam em uma "espécie de conta de chegada".
" Como se o limite de até 35% tivesse se tornado um novo piso. E aí começam novas criatividades para poder chegar a esse patamar. Então, antes que se consuma um novo caos, é importante que possamos brevemente fazer o debate, antes que tenhamos uma situação novamente cheia de emaranhados e confusões. E estou vendo isso, criação de novas parcelas, distintas inclusive do que foi decidido " assinalou o ministro.
A ponderação ocorreu após o ministro Alexandre de Moraes indicar, durante a sessão plenária na tarde de ontem, que irá aguardar a publicação do acórdão do julgamento dos penduricalhos para decidir sobre o pedido de entidades da magistratura para que o STF adie a implementação da decisão que limitou o pagamento de penduricalhos.
Associações que representam os juízes sustentam que os tribunais estão enfrentando dificuldades para "compreender e operacionalizar" a decisão do Supremo que estabeleceu quais verbas indenizatórias podem ser pagas aos magistrados, assim como um teto de 35% para o desembolso.
Os juízes, porém, pedem que tal suspensão não abarque a volta do Adicional por Tempo de Serviço (ATS), o aumento de 5% no subsídio dos magistrados a cada cinco anos de atividade, até o limite de 35%. O apelo é para que o benefício, que foi rebatizado de "parcela de valorização por tempo de antiguidade na carreira", seja implementado "imediatamente", a partir deste mês.
O STF estabeleceu que o limite para o pagamento dos penduricalhos valeria a partir da remuneração de abril, que é paga em maio à magistratura.
Os juízes querem que tal prazo seja adiado por, pelo menos, 30 dias contados a partir do eventual julgamento do recurso que as entidades avisaram que vão impetrar. Além disso, as entidades querem que a operacionalização do teto só ocorra um mês após todo esse processo.
Só depois do acórdão
O ministro Moraes defende que a análise do pedido só aconteça depois da publicação do acórdão. Ele conversou sobre o assunto com o presidente da Corte, Edson Fachin, durante o intervalo da sessão de ontem. Fachin disse "subscrever" a proposta de Moraes. Dino indicou que aguardaria para deliberar sobre o pedido por considerar a "posição mais prudente".
Segundo Moraes, a publicação do acórdão aguarda as manifestações de alguns ministros. Ele sinalizou que, assim que tais comentários forem liberados, "será bom" publicar o documento. Moraes afirmou que os tribunais "em sua grande maioria cortaram" o que foi determinado pelo STF, mas não implementaram o ATS porque "não tiveram a possibilidade ou agilidade":
" Isso gerou desbalanceamento, porque houve o corte, os atrasados também foram cortados porque estão em análise junto aos conselhos.