Dicas de cultura de fagundes e tony ramos, juntos em ‘quem ama cuida’
Não é todo dia que a mesma novela reúne dois dos maiores atores brasileiros. É o caso de ...
Não é todo dia que a mesma novela reúne dois dos maiores atores brasileiros. É o caso de "Quem ama cuida", criada e escrita por Walcyr Carrasco e Cláudia Souto e dirigida por Amora Mautner, que estreia no horário das nove, a partir de 18 de maio. Dividirão o mesmo set o carioca Antônio Fagundes e o paranaense Tony Ramos, ambos com 77 anos e com longa carreira de sucesso na TV, cinema e teatro. Fagundes fará o papel de Arthur Brandão, um milionário no mercado de joias que ergueu seu império do zero. Já Tony Ramos será Otoniel que, após perder a casa na enchente, passa a trabalhar em uma banca de flores na frente de um cemitério. Trama à parte, a coluna resolveu inovar e saber dessa dupla de atores "cabeça" o que eles, fora do palco, andam lendo e assistindo.
Começamos com Fagundes: o ator recomenda aqui cinco livros, sem ordem de preferência. O primeiro é o da historiadora norte-americana Lynn Hunt, "A invenção dos direitos humanos", que mostra, por exemplo, que, em 1776, enquanto a declaração dos EUA dizia que "todos os homens são criados iguais", a escravidão existia por lá por quase mais de um século, e que as mulheres só conquistaram o direito de votar em 1920. O segundo livro é "Justiça", do antropólogo e cientista político Luiz Eduardo Soares, a partir de uma conversa com um motorista de táxi, chocado com o assassinato de um colega durante um assalto. O terceiro é o famoso romance do polonês B. Traven, "O tesouro de Sierra Madre", que virou até filme de sucesso. Conta o encontro de três aventureiros americanos na corrida pelo ouro do México. O quarto é "Vamos comprar um poeta", do português Afonso Cruz. Aborda uma sociedade materialista, que contabiliza tudo. Até a troca de afetos é medida com exatidão. Arte, por exemplo, é vista como coisa inútil.
E, finalmente, o livro "Um hino à vida - a vergonha precisa mudar de lado", de autoria de Gisèle Pelicot. É a história real da francesa que fez questão de denunciar publicamente os incontáveis abusos sexuais que sofreu nas mãos do ex-marido e de dezenas de homens.
Já a lista de Tony Ramos inclui duas peças de teatro, dois filmes, duas séries e um livro. No teatro, o querido ator destaca seu colega Othon Bastos, 92 anos, em seu premiado monólogo "Não me entrego, não", escrito e dirigido por Flávio Marinho, relembrando as vivências e fatos marcantes da sua trajetória. Ainda no teatro, ele destaca "Eu de você", o aclamado monólogo estrelado por Denise Fraga, a partir de depoimentos verídicos, dirigido por Luiz Villaça.
No cinema, ele sugere dois clássicos: o primeiro é "Um americano em Roma", dirigido por Steno em 1954. É uma comédia estrelada por Alberto Sordi, no papel de um jovem italiano obcecado pela cultura americana. O outro é o brasileiro "O assalto ao trem pagador", de 1962, baseado em fatos reais. O filme foi dirigido por Roberto Farias, com Reginaldo Faria, Grande Otelo, Eliezer Gomes, Jorge Dória e Ruth de Souza.
Tony também cita duas séries: a primeira é "Falando a real" ("Shrinking"), disponível na Apple TV+, onde se destaca a atuação magistral de Harrison Ford. A outra é a aclamada série dramática da HBO (1999-2007), "Família Soprano", criada por David Chase, com James Gandolfini. E, finalmente, o ator recomenda a leitura de outro livro clássico da literatura universal: "O estrangeiro", de 1942, de Albert Camus, um francês nascido na Argélia. O livro é uma reflexão sobre a liberdade e a condição humana.
Maravilha!