Na copa, uma disputa acirrada fora do campo entre tvs e celulares
Na Copa do Mundo das telas, a disputa pode não ficar só dentro de campo. De um lado, a TV ...
Na Copa do Mundo das telas, a disputa pode não ficar só dentro de campo. De um lado, a TV ainda reúne salas cheias de torcedores. Do outro, celulares na palma da mão avançam com imagem em 4K, som imersivo e navegação cada vez mais fluida. Se até o último Mundial os aparelhos de televisão reinavam absolutos, agora dividem e talvez cedam o protagonismo aos smartphones no principal evento da Fifa, marcado para o mês que vem nos EUA e no Canadá.
Fabricantes de aparelhos eletrônicos e operadoras de telecomunicações estão preparados para o que já é chamada de a "Copa do streaming". Apple, Samsung e Motorola apresentam melhorias na qualidade de vídeo e som de seus principais smartphones " turbinados com fones capazes de eliminar ruídos com inteligência artificial (IA), por exemplo " como argumentos para a decisão de quem pensa em comprar um aparelho novo às vésperas da Copa e pretende acompanhar lances pela telinha do celular. As teles estão reforçando seus pacotes de dados e firmando parcerias com plataformas digitais para sustentar o aumento do consumo de internet móvel nas transmissões ao vivo.
A tendência é multitelas, com espectadores acompanhando os jogos com vários aparelhos ao mesmo tempo. Nessa dinâmica, porém, surge um adversário sutil: o temido delay, termo para a diferença de velocidade entre transmissões. Entre a TV e o celular, alguns milissegundos podem decidir quem comemora o gol primeiro ou antecipa a façanha pelo grito do vizinho. Segundo técnicos, como cada operadora e plataforma de streaming utiliza infraestruturas próprias de rede e data centers, o delay tende a ser inevitável durante os jogos, para além do já conhecido entre as TVs aberta e por assinatura, com o uso de telas simultâneas.
Carlos Nazareth Motta Marins, diretor do Inatel, explica que, no streaming, o sinal precisa passar por etapas de compressão, envio pela internet, distribuição em servidores e processamento no aparelho, o que gera velocidades diferentes em relação à TV, seja via fibra ou satélite. Um agravante é que, com as smart TVs, hoje muita gente também vê televisão por meio da internet.
" Serão dezenas de possibilidades e velocidades com tempos distintos. Você terá a rede da tele, o provedor do streaming, o data center. Estamos vendo maior evolução da qualidade dos smartphones.
Em geral, a Copa do Mundo tende a impulsionar o mercado de TVs. Neste ano, segundo a Samsung, líder do setor, a expectativa é de alta entre 5% e 10% nas vendas. A coreana aposta no componente social do torneio para vender mais televisores, mesmo que para o acesso ao jogo via internet.
" O fator decisivo é que um evento como Copa é algo coletivo. Só na TV é possível compartilhar essa emoção " explica Guilherme Campos, diretor de Produtos de TV, Áudio e Monitores da Samsung.
O executivo conta que a preparação do portfólio da coreana para o Mundial começou em novembro. A empresa aumentou a presença de IA nas TVs, com parcerias com Gemini, do Google, e Perplexity. A ideia, diz Campos, é aumentar o nível de interação, permitindo consultas sobre atletas e jogos enquanto a bola rola. Para esta Copa, a empresa investiu em modelos acima de 75 polegadas, incluindo um inédito de 98 polegadas.
" Criamos o Modo Estádio, desenvolvido para que o espectador se sinta dentro da partida, com imersão proporcionada pelo equilíbrio entre imagens mais vibrantes, som da torcida e narração clara por meio de IA" diz Campos.
Nos celulares, a Motorola, que acabou de estrear no segmento ultrapremium com o lançamento do Signature, viabilizou a tecnologia Dolby Vision para o consumo de conteúdos como a transmissão dos jogos. Segundo Rodrigo Vidigal, presidente da Motorola, a tecnologia permite visualização com melhor definição de cores, contraste e fluidez. Na prática, isso significa imagens mais nítidas em diferentes velocidades, em cenas rápidas ou lentas, sem pixelização e com maior suavidade durante toda a transmissão, diz ele.
" Ajustamos parâmetros de software para que a transmissão chegue com a codificação necessária e possamos entregar esse benefício ao usuário final. Vamos combinar com o áudio Dolby Atmos, proporcionando áudio espacial e uma percepção mais sensorial, com efeito de imersão.
Chip aprimorado
A Apple também aposta na combinação entre qualidade de imagem, velocidade de conexão e eficiência na transmissão de dados com os aparelhos da família iPhone 17 e Air, lançados no ano passado. Os modelos suportam formatos que permitem a reprodução de vídeos em alta qualidade usando menos dados e energia, reduzindo travamentos e buffering em plataformas de streaming. Segundo a Apple, há ainda recursos para formatos específicos de transmissão ao vivo, que intensificam cores, brilho e contraste.
Os aparelhos de ponta da americana contam ainda em um novo chip, o N1, que promete entregar streaming mais rápido e estável, com menos latência e interrupções. O processador consegue otimizar o uso da rede em tempo real, priorizando justamente a estabilidade no streaming.
Alta definição nas mãos
Nos celulares com sistema operacional Android, a Samsung também destaca recursos para o consumo de audiovisual na linha Galaxy S26, lançada no início deste ano, viabilizando vários formatos de reprodução, de resolução 8K a até 60 quadros por segundo. O Galaxy S26 Ultra, o mais caro da linha, conta com a quinta geração do processador Snapdragon 8 Elite, da Qualcomm, combinando estabilidade de conexão e desempenho em streaming ao vivo por meio de uma arquitetura específica, já que as pessoas estão cada vez mais consumindo conteúdo em vídeo nos celulares.
Os smartphones com melhor definição de imagem e tecnologia de até 120 Hz deixam movimentos mais fluidos, especialmente em jogadas rápidas, replays e câmeras especiais. Há propriedades capazes de realçar as cores de gramado e uniformes, a iluminação do estádio e tornar cenas noturnas mais realistas e vibrantes durante os jogos, apontam os técnicos.
O maior número de telas ligadas simultaneamente na Copa também gera mais oportunidades na área de publicidade, segundo Mauro Palacios, CEO da agência de marketing Twist:
" Essa pulverização em múltiplos canais cria uma oportunidade enorme para marcas. É uma democratização dos espaços de mídia em um período que, historicamente, era dominado por poucos. Agora, as marcas entram nas conversas dos consumidores de forma mais natural e em tempo real nas redes sociais.