Jueves, 14 de Mayo de 2026

Ue enviará lista com exigências para liberar exportação de carnes

BrasilO Globo, Brasil 14 de mayo de 2026

As autoridades sanitárias da União Europeia (UE) enviarão ao governo brasileiro uma lista ...

As autoridades sanitárias da União Europeia (UE) enviarão ao governo brasileiro uma lista de informações adicionais sobre o controle do uso de antibióticos na criação de animais para consumo humano, num processo para que o Brasil possa voltar ao rol dos países autorizados a exportar para o bloco europeu. A definição do processo foi resultado de uma reunião, ontem, entre representantes do Itamaraty e da Comissão Europeia, o braço executivo da UE, na sede do órgão, em Bruxelas.
O encontro na capital da Bélgica foi um primeiro passo para tentar reverter a decisão de retirar o Brasil da lista de países autorizados, tomada anteontem pelo Comitê Permanente para Plantas, Animais, Alimentos e Ração da Comissão Europeia.
As regras sobre uso de antibióticos na criação de animais valem para bovinos, equinos, aves, ovos, produtos de aquicultura, mel e tripas, e considera tanto os animais vivos quanto a produção de derivados. A atualização do rol de exportadores autorizados entrará em vigor em setembro, ou seja, a decisão não tem efeito imediato, e as exportações em curso estão mantidas.
Após a reunião de ontem em Bruxelas, as áreas técnicas da Comissão Europeia e do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) vão começar a discutir providências para reverter a decisão, disse um técnico do governo brasileiro que acompanha as discussões. A lista de informações adicionais a ser enviada pela UE balizará a discussão produto por produto. A expectativa é que o governo brasileiro consiga demonstrar que as autoridades sanitárias do Mapa cumprem as exigências dentro de duas semanas.
Segundo fontes do Itamaraty, que pediram para não se identificar, como a nova lista de países autorizados a exportar vai entrar em vigor somente em setembro, o Brasil tem tempo para adotar todas as providências necessárias. Do lado europeu, houve o compromisso de analisar o tema de maneira rápida.
A decisão de anteontem do comitê sanitário da Comissão Europeia pegou o governo brasileiro de surpresa, conforme nota conjunta do Mapa, do Itamaraty e do Ministério de Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic). Ontem, em Brasília, o ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, disse que a decisão das autoridades europeias parece ter sido antecipada.
" Fomos surpreendidos. Foi uma antecipação de uma questão que estava sendo debatida tecnicamente " disse De Paula, durante sua participação no congresso da Abramilho, associação que representa produtores de milho.
A decisão das autoridades sanitárias europeias foi associada à entrada em vigor, ainda que em caráter provisório, do acordo comercial entre o Mercosul e a UE. Produtores rurais europeus, particularmente da França, têm sido o principal foco de oposição ao tratado de livre-comércio. Eles temem que, com tarifas menores, cresça o fluxo de exportações agropecuárias dos países do Mercosul, tirando ainda mais mercado dos produtores locais. A regulação sanitária e ambiental sempre é citada como argumento para restringir uma maior entrada de itens sul-americanos.
sistema sólido
Desde anteontem, representantes das empresas exportadoras de carne bovina (a Abiec) e de frango (a ABPA) vêm defendendo o rigor do controle sanitário a cargo do governo brasileiro. Em teleconferência para comentar os resultados financeiros do primeiro trimestre, Gilberto Tomazoni, CEO da JBS, maior processadora de carne bovina do mundo, disse ontem que a empresa está confiante de que o Brasil chegará a um acordo para continuar exportando para a UE. O ministro De Paula reforçou:
" O Brasil tem um sistema sólido e robusto de defesa agropecuária. Somos os maiores produtores de proteína animal do mundo. Exportamos para 170 países e estamos há 40 anos na Europa. Vamos seguir exportando para a Europa, fizemos ontem e faremos amanhã.
Em paralelo à reunião em Bruxelas, a embaixadora da UE no Brasil, Marian Schuegraf, teve encontros, em Brasília, com secretário de Comércio e Relações Internacionais do Mapa, Luis Rua, e com representantes da Confederação Nacional da Agricultura (CNA). Segundo nota divulgada pela entidade, a expectativa é de que todos os esclarecimentos sejam prestados pelo Brasil, sem interrupções nas exportações,
O Brasil é o maior exportador global de carnes. Em 2025, os produtores brasileiros exportaram US$ 35,4 bilhões em animais vivos, carnes e outros produtos de origem animal, como gorduras, ovos e mel, segundo dados da balança comercial. Desse total, US$ 1,84 bilhão foi para os países da UE. No primeiro quadrimestre deste ano, foram US$ 12,8 bilhões, US$ 760,5 milhões para a UE.
* Com agências internacionais
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