Tcu aponta falha em controle de aportes em estatais
Uma auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) apontou diversas falhas do governo no controle ...
Uma auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) apontou diversas falhas do governo no controle da execução orçamentária e financeira das empresas públicas. Uma fiscalização das contas dessas empresas em 2025, divulgada ontem, constatou que os aportes de capital pelo Tesouro Nacional superaram a real necessidade dessas empresas, o que resultou em sobras de caixa e aplicações financeiras desvinculadas à execução imediata dos empreendimentos.
O relatório alerta para investimentos elevados e distribuição de dividendos diante de quadro deficitário das estatais. Entre os destaques estão Correios, Infraero, Emgepron, Casa da Moeda do Brasil (CMB) e as companhias do setor portuário.
rastreabilidade
Para o TCU, faltam mecanismo de rastreabilidade, tanto no âmbito das estatais quanto na supervisão da Secretaria de Coordenação e Governança das Empresas Estatais (Sest), do Ministério de Gestão, impede a distinção da origem e da aplicação desses recursos.
Segundo o relatório, isso "abre espaço para o uso indireto de valores consignados para investimento em despesas operacionais ou outros gastos de propósito distinto".
No voto, o ministro Benjamin Zymler alertou para diversos riscos, com questões fiscais, de transparência e governança, o que compromete a prestação de contas; ineficiências no uso dos aportes, além de riscos fiscais para o Tesouro, com redução de liquidez e ineficiências operacionais podem exigir socorro financeiro futuro, agravando o risco fiscal da União.
"Seja para a aplicação do teto remuneratório constitucional, seja para a apuração da condição de dependência da empresa estatal, é fundamental a adoção de mecanismos para rastrear a aplicação dos recursos recebidos do Tesouro, inclusive de seus rendimentos financeiros", disse o ministro no voto.
acompanhamento contínuo
O tribunal recomendou ao Executivo adotar mecanismo de acompanhamento sistêmico da programação de aportes para compatibilizar valores com a capacidade de execução e o princípio da anualidade orçamentária. Também que a Sest restabeleça a publicação do Relatório de Benefícios das Empresas Estatais Federais (Rebef) ou crie documento equivalente.
Além disso, o TCU determinou que, nos próximos acompanhamentos, a unidade técnica verifique a observância das regras constitucionais aplicáveis à remuneração de funcionários em estatais que recebam recursos para custeio e pessoal, incluindo a aplicação do teto remuneratório constitucional, e mandou a Secretária-geral de Controle Externo realizar fiscalização sobre os planos de benefícios das empresas estatais.
Outra recomendação é a adoção coordenada para reduzir despesas com assistência à saúde, diante da deterioração da margem bruta das estatais.