Bndes quer destravar projetos de minerais críticos
O BNDES estuda ampliar o uso de instrumentos de equity (participação societária) para ...
O BNDES estuda ampliar o uso de instrumentos de equity (participação societária) para viabilizar projetos ligados à cadeia de minerais críticos no Brasil, afirmou ontem o diretor de Desenvolvimento Produtivo, Inovação e Comércio Exterior do banco, José Luís Gordon. Opções de project finance, tipo de financiamento que se apoia no fluxo de caixa do empreendimento e que usa os ativos e os recebíveis do projeto como garantia, também estão em estudo.
Segundo ele, parte dos R$ 50 bilhões em projetos mapeados em uma chamada pública lançada pelo banco em parceria com a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) está sendo analisada sob essa ótica.
" Uma boa parte dos R$ 50 bilhões a gente está olhando para equity " disse Gordon, que participou do evento "Energia e soberania: a posição do Brasil". " O BNDES está retomando a BNDESPar (braço de participação da instituição), fazendo alguns investimentos.
Posição estratégica
O executivo afirmou que o banco vem estruturando uma estratégia em etapas para o setor. A primeira frente foi a criação, em parceria com a Vale, de um fundo de investimento em participações (FIP) voltado para companhias juniores de mineração, com foco em projetos em fase inicial de exploração mineral.
O diretor afirmou ainda que o banco avalia modalidades de project finance para empreendimentos mais maduros do setor mineral e que olha para parcerias com bancos privados e bancos de desenvolvimento estrangeiros.
No evento, os participantes destacaram que o Brasil está em uma posição geopolítica internacional estratégica. Num contexto em que os Estados Unidos e a Europa têm buscado reduzir a dependência da China, o país pode sair na frente, afirmou a gerente de assuntos minerários do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), Aline Nunes.
" Os países precisam do fornecimento desses materiais e boa parte desses países não detém essas reservas em quantidade suficiente. O Brasil tem oportunidade de ser protagonista " disse.
Para Rafaela Guedes, CEO da RG Impact e senior fellow do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri), uma boa regulamentação é o que garante previsibilidade ao capital estrangeiro que será necessário para fazer frente aos investimentos em pesquisa e desenvolvimento no setor.
" O grande desafio é como transformar essas oportunidades em reserva. Como transformo os minerais que estão debaixo da terra em uma cadeia da política industrial? O que mais a gente pode fazer para adensar e capilarizar nossa indústria local? " indagou.
Nesse cenário, o investimento estrangeiro pode ser um aliado:
" Pode ser com União Europeia, Estados Unidos ou Japão. Quem tiver interesse de agregar valor, o Brasil vai aceitar o investimento e trabalhar junto " afirmou Gordon. (* Do Valor)