Nada de dubai: principal destino da aviação executiva é o brasil
A primeira unidade do helicóptero mais exclusivo do mundo não foi entregue em Mônaco, Dubai ou Los ...
A primeira unidade do helicóptero mais exclusivo do mundo não foi entregue em Mônaco, Dubai ou Los Angeles, e sim em solo brasileiro. Trata-se do ACH145 Mercedes-Benz Edition, vendido pela Airbus por mais de R$ 78 milhões. Paralelamente, desponta o jato Falcon 6X, da francesa Dassault, avaliado em cerca de R$ 300 milhões. Juntas, essas máquinas, em exibição em evento do setor em São Paulo, revelam como o Brasil consolidou-se como o destino das maiores empresas da área.
Com o interior customizável, o helicóptero fabricado pela Airbus e finalizado em Itajubá (MG) pela Helibras representa um avanço significativo em termos de engenharia e conforto. Fruto de uma parceria de mais de cinco anos entre Airbus e Mercedes, a aeronave traz um formato de cabine reformulado e um sistema inédito de insonorização acústica (bloquear ruídos externos).
Em um voo de teste, a cabine era tão silenciosa que sete passageiros puderam conversar sem usar os tradicionais fones de ouvido.
Embora o requinte dos assentos em couro atraia o olhar dos entusiastas do luxo, a aquisição de um equipamento desse porte obedece a uma lógica pragmática no universo corporativo.
Amaury Bastos, o recém-empossado presidente da Helibras, ressalta ao GLOBO que a aeronave se apresenta indispensável para a produtividade e a otimização das agendas de grandes líderes empresariais:
" Hoje, o empresário, mais do que o luxo, quer ganhar tempo. Então, o helicóptero se torna um verdadeiro instrumento de trabalho. Isso é essencial, principalmente se tratando de São Paulo, onde enfrentamos grandes congestionamentos cotidianos.
A liderança do mercado brasileiro nesse ecossistema é sustentada por uma sólida base industrial, composta pela única fábrica de helicópteros do Hemisfério Sul. A Helibras, que faz parte do grupo Airbus, controla atualmente 80% dos mercados de segurança pública e militar, além de deter 40% de participação no concorrido mercado civil.
As unidades importadas da Europa passam por um processo final de remontagem de motores, sistemas de pouso e pás em Itajubá. Há planos, porém, de nacionalizar integralmente a fabricação do H145. Esse modelo tem uma demanda estimada em cerca de cem novas unidades nos próximos anos.
Se os helicópteros dominam o tráfego urbano, os jatos executivos intercontinentais cobrem longas distâncias.
Em fase final de certificação, o Falcon 6X teve de ser reformulado devido a atrasos na certificação dos motores. A Dassault aproveitou então para ampliar a fuselagem, aumentar o tamanho das janelas e instalar motores mais eficientes, que estenderam consideravelmente o alcance da aeronave.
Se na metade dos anos 2000 o ritmo era de duas a três aeronaves entregues por ano, o país chegou a registrar o pico de 15 jatos novos comercializados anualmente entre 2006 e 2008, diz Rodrigo Pessoa, vice-presidente de Vendas da Dassault para a América Latina.
" Hoje vemos muitos clientes precisando voar para destinos distantes como a Ásia, o que antigamente não acontecia no mercado brasileiro. E foi justamente pensando nesse tipo de operador que lançamos também no Brasil o Falcon 10X, capaz de ir de São Paulo até Auckland (Nova Zelândia) sem escala " diz Pessoa, lembrando que as duas primeiras vendas no mundo foram feitas para clientes brasileiros.
Com autonomia superior a 10 mil quilômetros, o Falcon 6X conecta São Paulo a qualquer ponto dos EUA e à maior parte da Europa sem escalas.
E não se vê aqui o modelo de compartilhamento, popular nos EUA, diz Pessoa:
" O cliente brasileiro, o latino de maneira geral, não gosta da ideia de compartilhamento. Eles fazem questão de ter um avião só para eles.