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As cartas, contendo telefone e endereço do autor, devem ser dirigidas à seção Leitores. O GLOBO, Rua Marquês de Pombal 25, CEP 20.230-240. Pelo fax, 2534-5535 ou pelo e-mail cartas@oglobo.com.br
Final marcada
Flávio Bolsonaro teve de admitir que pediu R$ 134 milhões para um banqueiro notoriamente picareta. Porém, não apresentou o suposto contrato que o obrigava a mentir publicamente e diz não saber onde foram parar os R$ 61 milhões recebidos (essa pergunta é crucial). Também não explicou o que faria com os R$ 73 milhões que pediu e não levou, uma vez que o filme foi concluído sem esse dinheiro. Não importa. Sua queda nas pesquisas foi insignificante, uma vez que a maioria da população não acompanha as tretas de Brasília. O Zero Um é o candidato da exótica fauna bolsonarista e dos antipetistas viscerais. E isso lhe garante vaga no segundo turno. Ética não entra nessa escolha. A direita não quer um candidato honesto, quer alguém que possa derrotar Lula. Sem falar que Bolsonaro não abre mão de ter seu sobrenome (e seu sangue) na cédula eleitoral. Assim, a eleição, salvo terremoto político de proporções gigantescas, será entre Lula e Flávio. E como Flávio é, pessoalmente, uma nulidade política, a eleição depende de Lula. Sua derradeira missão é conseguir (e olha que ele está tentando) melhorar sua aprovação e, consequentemente, reverter sua inviável rejeição. O maior adversário do presidente é ele próprio. Logo, no atual cenário, Lula só perde para si mesmo.
Flavius Figueiredo
Barra do Piraí, RJ
Vassalagem
A foto dos Zeros Um e Dois com Trump na Casa Branca mostra um Brasil submisso, algo "macaquito", que teima em dar a sua cara ao pedirem a Trump classificar o PCC e CV como terroristas, abrindo uma porta para intervenções militares dos EUA no Brasil. A vassalagem simbolizada na foto envergonha os verdadeiros patriotas que desejam um Brasil respeitado internacionalmente. Mais um tiro no pé da nossa direita, que,
além de infestada de napoleões de hospícios, parece querer ressuscitar o "Brasil pária"
do governo anterior, do
patriarca Zero Zero.
VANIA MARIA COELHO
Rio
De repente,não mais que de repente, como disse o poeta, uma simples foto com um indivíduo que desestabilizou a ordem mundial via guerras, ameaças, tarifas e interferências diversas poderia absolver todos os pecados cometidos (mas não confessados) e uma certa garantia para os futuros. Cabe aos eleitores brasileiros de qualquer posição política e convicção religiosa uma profunda reflexão sobre o que realmente desejam para o país.
E mais: o fotografado disse que solicitou que o PCC e o CV fossem enquadrados como terroristas, o que favorece uma intervenção estrangeira, mas esqueceu-se do tratamento que merecem os traidores contumazes.
Sebastião Maurício D. Pessoa
Rio
Tem gente propagando que este encontro de Flávio & cia. com o presidente Trump será um "ativo" na campanha do 01. Parece-me que seus marqueteiros estão avaliando erroneamente tal iniciativa. Trump está com popularidade em baixa " tanto nos EUA quanto no resto do mundo. E será uma janela para a esquerda de Lula bater bumbo na seguinte tecla: o candidato representa " e está reforçando isso com essa visita " política que criou tarifas visando asfixiar o Brasil e forçar o país a se submeter às empresas americanas, comprometendo a atividade econômica local e os empregos. Tiro pela culatra.
Eduardo Aguinaga
Rio
Flávio, rachadinhas são crimes de peculato-desvio. Superfaturamento na sua loja de chocolates é prática fraudulenta. Mansão no Lago Sul, em Brasília, por R$ 6 milhões, valor quatro vezes maior que seu patrimônio, é grave conduta junto ao Erário. Como se nada mais bastasse, vem a público essa sua intimidade toda ("irmãozinho") com o maior fraudador do sistema financeiro brasileiro. Flávio, com todo esse currículo criminoso, você ainda pensa em ser presidente da República? Sim, pensa! Tanto é que foi ao EUA lamber as botas de Trump, como se isso fosse fator positivo para sua candidatura. Seu irmão já o faz com muita subserviência. Caso eleito, além de um possível governo desastroso, o povo brasileiro não abriria mão de ser um país soberano. Pula fora, ainda dá tempo...
Elias M.da Silva
Rio
Tiro pela culatra?
Há propostas que pretendem beneficiar o trabalhador e melhorar as suas condições de vida. Têm impacto popular e sensibilizam uma boa parte do eleitorado. O fim da jornada 6x1 é uma dessas medidas, mas nem sempre as consequências econômicas são bem avaliadas, e o tiro pode sair pela culatra. Como vai haver aumento de custos para as empresas, o ajuste vai ser feito nos preços ou na demissão de trabalhadores. É pouco provável que se tenha um aumento generalizado e imediato de produtividade que absorva o incremento nos custos. Além do impacto positivo na qualidade de vida do trabalhador, haverá impacto negativo na inflação e desemprego. Os populistas, embora bem intencionados, não costumam antecipar a reação dos agentes econômicos, que buscam manter seu negócio lucrativo. Talvez com uma transição mais escalonada no tempo, o problema poderia ser atenuado.
Helio Hermeto
Rio
Nova Délhi, Brasil
O Brasil está se tornando uma Índia em matéria de trânsito caótico. Motos, bicicletas elétricas, autopropelidos trafegam em alta velocidade, pela contramão, nas caçadas, não respeitam horários e locais de silencio avançam sinais, etc. etc. A maioria de nossas ruas ainda é da época das charretes. E o governo, em vez de construir metros, ferrovias etc,, ainda incentiva a bagunça, aumentando o financiamento para esses veículos visando a votos nas eleições.
Dádivo M. Fragoso
Nova Friburgo, RJ
Se eu fosse jurado
Cada cabeça, uma sentença. Por isso, particularmente, respondo pelas minhas (cabeça & sentença). Fosse eu membro do júri no caso do assassinato do menor Henry Borel, certamente me sentiria feito de palhaço pelos advogados da dupla de réus Monique/Jairinho em suas chicanas jurídicas para postergar ad aeternum o processo. Dirão: "essa manobra faz parte da estratégia da defesa". Ok e, uma vez cansado e estressado, não hesito em afirmar que tal estratagema me vocacionaria a pender pelo campo da promotoria. Sem entrar no mérito das argumentações e contendas entre as partes, mas considerando o inexorável fator humano de limites físicos e psicológicos para exaurir-se ante tantas artimanhas procrastinatórias.
ARNALDO ROZENCWAIG
RIO
Um dia de domingo
Havia acabado de enviar uma carta para O GLOBO falando de mais um dos absurdos diários dos nossos políticos. Mas aí abri o jornal e me deparei com a crônica do Leo Aversa falando de algo muito, muito, mais importante! Falando sobre a ternura da imagem de um pequeno menino, feliz, ao descobrir poder andar de bicicleta sem a ajuda da mãe, que, sorrindo, observa uma das primeiras conquistas do filhote. E a quarta-feira ficou mais luminosa ao sabermos, todos, graças à sensibilidade de Aversa, do lindo momento em uma praça do Jardim Botânico, no fim de uma tarde de domingo!
Tenha certeza, Aversa, que Rubem Braga, lá do céu dos cronistas, está aplaudindo de pé!
Edgardo Joaquim D. do Prado
Rio
Menos que zero
Na visão da prefeitura, considerando os investimentos e medidas tomadas para valorizar as regiões, o Rio está dividida em três zonas: Centro, Sul e a recém-criada Sudoeste. Registre-se o inquestionável afã para realizar obras, que atendam empreendedores imobiliários e contratação de grandes construtoras. Enquanto os subúrbios vivem um caos com o completo abandono, a prefeitura insiste na construção de um prédio no Buraco do Lume, apesar de existirem muitos prédios vazios no Centro. Quer aprovar o Praça Onze Maravilha, demolir o Elevado 31 de Março, enquanto o subúrbio carece de viadutos para desafogar o trânsito caótico. Que os moradores dos subúrbios não se iludam com promessas. O ex-prefeito é candidato a governador, e o atual prefeito será candidato à reeleição. Eles seguirão desprezando os bairros mais pobres.
Arnaldo dos Santos Silva Jr.
Rio
Tenho acompanhado mais uma mudança nas subprefeituras da Zona Norte e fico com a impressão de que esse tipo de reorganização administrativa já virou rotina. Com exceção da Tijuca e da Ilha, os subúrbios da região já foram separados, reunidos e divididos novamente várias vezes ao longo dos anos.
O problema é que essas mudanças quase nunca trazem resultados concretos para quem mora nesses bairros. Regiões como Ramos e Penha seguem com pouca oferta de áreas verdes de lazer público, poucas ciclovias e ainda convivem com altos índices de problemas respiratórios ligados à poluição e às condições urbanas, segundo dados da própria prefeitura.
No fim, fica a dúvida: qual o sentido de tantas mudanças administrativas se a vida de quem mora na Zona Norte continua praticamente igual?
Hugo Costa
Rio