Ações da oncoclínicas caem 25%, maior queda desde estreia na bolsa
Imersa numa crise financeira há meses, inclusive com suspensão do atendimento a pacientes ...
Imersa numa crise financeira há meses, inclusive com suspensão do atendimento a pacientes recentemente, a Oncoclínicas viu suas ações caírem ontem 25,14%, cotadas a R$ 1,31. Foi a maior queda diária desde a abertura de capital, em agosto de 2021. Em um único pregão, a companhia perdeu R$ 499 milhões, saindo de R$ 1,986 bilhão para R$ 1,487 bilhão. O desempenho foi registrado após rumores de que a empresa avalia entrar com um pedido de recuperação extrajudicial.
A possibilidade encontra razão no calendário. Termina em meados de junho a proteção contra credores que a Oncoclínicas conseguiu na Justiça em abril.
Fontes próximas à companhia disseram ao GLOBO que a avaliação é que o caminho seja a recuperação judicial nos próximos meses.
Prejuízo de R$ 3,67 bi
Segundo a empresa, enquanto corre o prazo, continuam em curso as negociações com credores. Em comunicado ao mercado na última terça-feira, o diretor executivo Financeiro e de Relações com Investidores da Oncoclínicas, Isaac Quintino da Silva, afirmou que eventual medida de recuperação extrajudicial "permanece em avaliação no âmbito das discussões conduzidas" pela companhia.
A rede de clínicas oncológicas passa por sua maior crise. A busca por proteção contra credores aconteceu dias após a empresa divulgar seu balanço financeiro de 2025, quando registrou prejuízo de R$ 3,67 bilhões e dívidas que somam R$ 3,2 bilhões.
Os números também mostraram que a Oncoclínicas não encerrou o ano com a dívida dentro das condições previstas em contrato com os credores, de alavancagem de 3,5 vezes o Ebitda (lucro antes de juros, imposto, depreciação e amortização). Esse indicador mostra o quanto uma empresa depende de dívida para financiar suas operações: quanto mais elevado, maior o risco financeiro. Na Oncoclínicas, a alavancagem ficou em 4,3 vezes.
Na ponta mais sensível, a crise afetou os pacientes com câncer de planos de saúde aos quais a rede é conveniada, que viram atendimentos e sessões de quimioterapia, radioterapia e imunoterapia serem suspensos por falta de medicamentos. A empresa chegou a realizar um mutirão para regularizar os serviços.
No último dia 22, a Oncoclínicas informou ter contratado o BTG Pactual como seu novo formador de mercado, substituindo o Citi na compra e venda diária das ações, o que garante liquidez à empresa.
O BTG também atua como representante no Brasil do Mak Capital, fundo de investimento americano que detém 6,3% dos papéis da Oncoclínicas. Nos últimos meses, o fundo teria oferecido montante de R$ 500 milhões para capitalizar a empresa. O aporte, porém, estava condicionado a uma mudança no conselho de administração, uma forma de reequilibrar o poder no processo decisório, o que acabou não acontecendo na última assembleia geral da companhia.
Segundo fontes próximas à rede de clínicas oncológicas, a escolha do BTG tem a ver com uma tentativa de parte do comando da empresa de sinalizar uma aproximação ao Mak Capital. Procurado, o BTG não respondeu até o fechamento desta edição.
(Leticia Lopes e Paulo Renato Nepomuceno)