Exportações para os eua caem 16% no ano
crise comercial e política
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As exportações do Brasil para os Estados Unidos caíram 16% entre janeiro e maio deste ano na comparação com os primeiros cinco meses de 2025, segundo dados divulgados ontem pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic). As vendas totais para o exterior, por outro lado, aumentaram 8,7% no ano até o mês passado.
No período, as exportações brasileiras para os EUA totalizaram US$ 14 bilhões, mas as importações também caíram (12,6%) chegando a US$ 15,5 bilhões. Resultado: o Brasil foi deficitário nessa relação em US$ 1,5 bilhão.
A queda acontece em meio a uma busca de diversificação de parceiros comerciais pelo Brasil, desde que os Estados Unidos impuseram tarifas de até 50% sobre produtos brasileiros no ano passado.
O diretor de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior do Mdic, Herlon Brandão, destaca que as quedas mensais nas exportações para os EUA estão sendo registradas desde agosto do ano passado.
" Tivemos a maior queda em outubro, de 35%. Em janeiro tivemos uma redução de 26%, e isso foi arrefecendo ao longo dos meses, 20% em fevereiro, 10% em março e em abril, e 14% agora em maio " disse Brandão, que ressaltou ser cedo para concluir se essa queda contínua será uma mudança estrutural.
A avaliação ainda não reflete a ameaça de novas tarifas feita esta semana pelo governo de Donald Trump, que ainda precisarão ser confirmadas pelo presidente. Em estimativa feita na última terça-feira, o Mdic afirmou que a eventual nova tarifa de 25% impactaria cerca de 21% das exportações brasileiras aos Estados Unidos. Ainda não há estimativa de impacto da nova sobretaxa de 12,5%.
AMBIENTE DE INCERTEZA
Ariane Benedito, economista-chefe do PicPay, ressaltou em relatório que a queda nas vendas para os EUA foi o maior declínio entre os principais destinos das exportações do Brasil. Parte desse movimento, diz, está associada ao redirecionamento de fluxos de petróleo bruto, mas também reflete o ajuste nas relações comerciais bilaterais diante do ambiente tarifário incerto.
"O Brasil tem compensado essa perda de participação com ganhos expressivos em Ásia, Europa e, mais recentemente, em mercados como Índia e Bangladesh, o que demonstra capacidade de diversificação da pauta, ainda que o processo seja gradual", avalia.
A balança comercial de maio registrou superávit de US$ 7,8 bilhões, um aumento de 10,8% em relação ao mesmo mês em 2025. Mesmo com a queda do comércio com os Estados Unidos, na soma com todos os países a balança teve um superávit de US$ 32,6 bilhões até maio, com crescimento de 34,2% sobre o ano passado. No acumulado dos cinco primeiros meses do ano, as exportações somaram US$ 148,57 bilhões, uma alta de 8,7% em relação ao mesmo período em 2025.
Já as importações somaram US$ 115,9 bilhões nos cinco primeiros meses de 2026, com alta de 3,2% na comparação com o ano passado. A antecipação de compras de veículos antes do aumento tarifário de julho e os preços mais elevados do petróleo foram os principais vetores de aceleração dos desembarques em 2026.
O Brasil vendeu principalmente soja, óleos brutos de petróleo, minério de ferro, carne bovina, óleos combustíveis e farelo de soja neste ano.
As exportações aumentaram principalmente para a China, que registrou um crescimento de 21,8% até maio, consolidando-se como o principal parceiro comercial do Brasil. Na terça-feira, em reação ao novo tarifaço de Trump, o presidente Lula celebrou o anúncio da abertura do mercado chinês para a carne brasileira e salientou que o Brasil pode vender para outras nações.
FORÇA DAS COMMODITIES
Além da China, as exportações aumentaram principalmente para países da União Europeia (UE), com uma alta de 6,7% das vendas no acumulado do ano.
Luiza Pinese, da XP, prevê que as exportações devem se sustentar em níveis elevados ao longo de 2026, apoiadas pela pauta de commodities. Ela espera que os embarques de petróleo bruto se recuperem da queda mensal (de 9,3%), em linha com o aumento da produção doméstica " os valores exportados acumulados no ano ainda registram alta de cerca de 20%.
" Em suma, projetamos superávit comercial de US$ 85 bilhões em 2026 e de US$ 79,4 bilhões em 2027, com viés de alta" afirma.