Da madrugada gelada ao sol no fim: maratona do rio agita orla
Nem mesmo o início de manhã gelado " às 6h30 de ontem foi registrada a segunda menor ...
Nem mesmo o início de manhã gelado " às 6h30 de ontem foi registrada a segunda menor temperatura da cidade este ano, com 12,2 graus no Alto da Boa Vista, de acordo com o sistema Alerta Rio " desanimou os atletas da Maratona do Rio. Com a volta do percurso original " da Reserva, na Zona Sudoeste, ao Aterro, na Zona Sul ", a prova teve tempo frio e "gostoso" para quem corre e o bônus do visual ao nascer do dia " o sol e o calor aparecerem na reta final. Mais de 17 mil corredores tiveram apoio da torcida ao longo do trajeto.
Ao todo, foram 66,6 mil inscritos para os quatro dias de evento, com provas de 5km na quinta-feira, 10km na sexta-feira, meia maratona no sábado e os 42km no domingo. As mulheres foram maioria em três delas. A exceção é justamente na maratona, com as representantes femininas como apenas 28% do público.
A engenheira civil Thelma Sumie, de 44 anos, que saiu de São Paulo só para correr no Rio, atribui essa presença reduzida à falta de segurança para os treinos, já que muitos podem ocorrer em horários desfavoráveis, como a madrugada, quando se tem a melhor temperatura para a atividade. Esta foi sua 10ª maratona, sendo a primeira no Rio. Ela bateu o recorde pessoal, com 3h24.
" Hoje vou liberar a alimentação, porque foi uma preparação todinha me privando. Como deu certo, é dia de comemorar. Eu gosto de um docinho " diverte-se Thelma: " A prova foi maravilhosa, com torcida no caminho inteiro. Foi muito emocionante e o Rio colaborou, com um tempo mais ameno até o km 30, mais ou menos. A perna começou a pesar. Mas maratona é isso, trabalhar a mente e não desistir. Não pensa, só vai.
Atualmente morando em Cuiabá, a estudante paulista Brunielly Santos, de 23 anos, também viajou ao Rio, mas para correr sua primeira maratona. Contando com o apoio da família, que marcou presença em alguns pontos do percurso, ela terminou a prova em 3h28. Ao fim dos 42km, além das pernas já cansadas, a estudante contou estar com as bochechas doendo de tanto sorrir.
" Isso aqui é uma experiência, era meu sonho. Comecei e terminei sorrindo " disse ela sobre a escolha do Rio para a estreia: " Eu tinha medo de lesão, mas deu tudo certo. Já tinha corrido 5km, 10km e meias maratonas. Para esta prova tive mais de cinco meses de treinamento, de dedicação. Durante a prova vem muitos pensamentos na cabeça, mas eu não me abalo.
Etíopes no pódio
Dois atletas etíopes venceram as provas. No masculino, Tsegaye Getachew cruzou a linha de chegada com 2h10min22. No feminino, Gadise Mulu Demissie foi a campeã, com o tempo de 2h25min47 " novo recorde no circuito de maratonas do país, que ficou a dois segundos do recorde masculino.
No total, sete corredoras " sendo seis da Etiópia " completaram o percurso abaixo da marca que era da também etíope Tiringo Mulu: 2h29m48, tempo obtido no ano passado nos 42km da New Balance, em Porto Alegre. O melhor tempo geral dos 42km obtido por uma mulher no Brasil continua sendo o da Olimpíada do Rio, em 2016: a queniana Jemima Sumgong fez 2h24min04.
No masculino, Getachew ficou a um segundo de bater o recorde masculino do circuito de maratonas, estabelecido há uma semana pelo queniano Daniel Hiprono Sang, com 2h10min21, na de Porto Alegre Olympikus.
" Zero frustrado por conta desse um segundo para igualar (o recorde). Temos um novo percurso e ajustes a fazer, o que é normal. E ainda assim, quase igualamos. Mostra que estamos no caminho certo e próximos de bater o recorde nos próximos anos " declarou Claúdio Romano, vice-presidente de marketing e negócios da Dream Factory, organizadora do evento.
Claúdio comemorou o resultado do feminino e disse que o objetivo é ter mais atletas disputando os 42km, especialmente mulheres:
" Nosso foco não é ser a mais rápida e sim ter mais gente correndo a maratona, além de adquirir os selos da World Athletics. A gente quer ser a prova mais reconhecida.