Brasileiros também entram na corrida pelos papéis
A abertura de capital (IPO, na sigla em inglês) da SpaceX não escapou do radar dos ...
A abertura de capital (IPO, na sigla em inglês) da SpaceX não escapou do radar dos investidores brasileiros. O BTG, único banco do país no consórcio de instituições que coordena a operação, criou um fundo para investidores qualificados (aqueles que têm mais de R$ 1 milhão investido). Já a XP estruturou um fundo com aporte inicial de R$ 5 mil. Para o pequeno investidor, a oportunidade de participar será por meio de BDRs, recibos que equivalem a ações. Nesse caso, o valor inicial da aplicação ficará em torno de R$ 50, informou a B3.
Pelo BTG, grandes fundos, bancos de investimento, investidores institucionais e clientes private têm prioridade na compra. A promessa é que sejam reservados até 30% das ações para investidores individuais que tenham conta internacional.
Fundo a partir de R$ 5 mil
Outro caminho é por meio de dois fundos criados pelo BTG, um nacional e outro no exterior, este com aplicação inicial de US$ 5 mil (quase R$ 26 mil). No mercado nacional, o aporte inicial no fundo BTG Pactual Reference Moon, que tem proteção cambial, é de R$ 500. A XP estruturou um fundo na família Trend, o XP SS 1, com aplicações a partir de R$ 5 mil, bem como um veículo no exterior, para quem tem conta internacional. Procuradas, as duas instituições não comentaram a demanda.
Corretoras que atendem os brasileiros no exterior, como Avenue, Nomad e XP International, também dão acesso aos papéis da SpaceX " e a outras empresas com capital aberto na Nasdaq. É uma forma de diversificar e dolarizar o portfólio de investimentos. Mas, no caso da SpaceX, não há a garantia de que o preço seja o mesmo do IPO.
" O investidor brasileiro está cada vez mais atento à importância de diversificar globalmente seu patrimônio " diz Fabio Checchi, chefe de desenvolvimento de negócios da Zero Markets no Brasil, corretora que também dará acesso a interessados nas ações da SpaceX por meio de parceria com a Levycam CCTVM.
Para o pequeno investidor, a alternativa são os BDRs da SpaceX, que estarão disponíveis na B3, a Bolsa de Valores brasileira, a partir de hoje, quando começam as negociações dos papéis na Nasdaq. Os BDRs serão negociados no mercado secundário (onde investidores vendem e compram os papéis entre si).
Atenção à volatilidade
O investimento pode ser feito diretamente nas plataformas de negociação (home broker) das corretoras, pelo código SPCX34. O processo, segundo a B3, é semelhante ao de negociação de ações brasileiras, ETFs (fundos de investimento que têm cotas negociadas diretamente em Bolsa) e outros BDRs. Não é preciso comprar dólares nem fazer remessa internacional para investir: todo o processo é realizado no Brasil, em reais.
A estrutura do BDR terá paridade de 1:15 - ou seja, cada ação da SpaceX no exterior corresponderá a 15 BDRs na B3. O valor do papel foi definido em US$ 135, ou cerca de R$ 690 pelo câmbio ontem. Com isso, será possível acessar os BDRs por cerca de R$ 50.
Especialistas ressaltam que, como todo BDR, os da SpaceX estão sujeitos à variação dos papéis no exterior, aos altos e baixos do câmbio e à volatilidade do mercado americano.
" Não acho que possa ser um grande tombo, mas eventualmente essa expectativa elevada criada em torno das ações da SpaceX pode levar a uma desvalorização dos papéis após o IPO. E quem vender a ação terá perdas, já que pagou caro pelo papel " diz Miguel Ribeiro de Oliveira, diretor executivo da Anefac.