Como a copa cresceu até aqui: as mudanças dentro de campo
A Copa do Mundo de 2026 marca a estreia de novas regras de arbitragem, que visam dar mais ...
A Copa do Mundo de 2026 marca a estreia de novas regras de arbitragem, que visam dar mais dinamismo ao jogo e maiores poderes ao árbitro de vídeo. Contudo, esta não é a única edição do torneio com novidades no regulamento. Ao longo da História, o futebol passou por mudanças de acordo com as necessidades de cada período, e o Mundial acompanhou esse processo de transformação.
Nas primeiras Copas, por exemplo, sequer existiam substituições. Se um jogador se machucasse, teria que permanecer em campo, no sacrifício, ou deixar o time com um a menos. As alterações só foram permitidas a partir da Copa de 1970. Na época, as equipes podiam fazer duas trocas por jogo. Depois, em 1994, foi autorizada uma terceira substituição, mas apenas se tivesse um goleiro lesionado ou expulso. Somente a partir da edição seguinte, em 1998, que a Fifa adotou as três alterações sem restrições.
Essa regra permaneceu sem mudança até a Copa de 2018, na Rússia, quando foi adicionada uma quarta substituição caso o jogo fosse para a prorrogação. Já em 2022, foi adotada a regra das cinco alterações, que segue em vigor até hoje.
Além disso, foi concedida uma substituição adicional, a qualquer momento da partida, em caso de concussão de algum jogador. Agora, em 2026, a novidade é por conta do tempo. O escolhido para ser substituído tem apenas dez segundos para deixar o campo a partir do momento em que a placa indicar a alteração.
Início dos cartões
Os cartões amarelos e vermelhos foram implementados apenas na Copa do Mundo de 1970, por conta de uma confusão na edição anterior " as expulsões existiam, mas eram verbais. Nas quartas de final de 1966, no jogo entre Inglaterra e Argentina, o árbitro alemão Rudolf Kreitlein marcou uma falta para os ingleses . O zagueiro Perfumo, que cometeu a infração, reclamou, e o capitão argentino Rattín apareceu para reforçar o protesto. O árbitro, porém, não entendia espanhol, não gostou da reclamação e, com um gesto, mandou Rattín para fora do campo. O capitão, confuso, pediu um tradutor, mas o juiz não quis saber.
Para evitar novos problemas de comunicação e inspirado nas cores do sinal de trânsito, o árbitro Ken Aston, que chefiava a comissão de arbitragem da Fifa, teve a ideia de criar o cartão amarelo para advertências e o vermelho para expulsões.
Recuo para o goleiro
Em 1992, foi criada a regra que definiu que o goleiro não poderia mais pegar com as mãos uma bola passada com os pés por um companheiro de time. A mudança no regulamento foi estabelecida após a Copa de 1990, que teve a pior média de gols da história do torneio (2,21) e partidas conservadoras, que permitiam o antijogo. A nova regra estreou no Mundial de 1994 e abriu novos caminhos para o futebol: os goleiros precisaram desenvolver o jogo com os pés, o que favoreceu a marcação no campo de ataque e a saída de bola desde a defesa.
A novidade para a Copa do Mundo deste ano é que os goleiros têm apenas oito segundos para repor a bola. Se o tempo for excedido, será concedida uma cobrança de escanteio ao adversário.
modernização do jogo
A tecnologia se transformou em uma das grandes aliadas da arbitragem. A primeira grande novidade foi inaugurada na Copa de 2014, no Brasil, com a Tecnologia da Linha do Gol, um sistema que, a partir do uso de sensores na bola e nas traves, avisa no relógio do árbitro se a bola entrou ou não. Uma mudança motivada principalmente pelo gol não marcado por Frank Lampard nas oitavas de final entre Inglaterra e Alemanha, em 2010.
Já em 2018 foi a vez de o árbitro de vídeo entrar em cena pela primeira vez. E chegou para ficar. Depois, a edição de 2022 marcou a estreia do impedimento semiautomático. No lugar das linhas traçadas pelo VAR, dezenas de câmeras de rastreamento e chips na bola passam a recriar lances de impedimento em 3D em poucos segundos.
Agora, a bola Trionda traz mais uma novidade tecnológica ao jogo, com um sensor que detecta informações sobre toques e movimento.