Domingo, 21 de Junio de 2026

Sucesso de inovações em suplementos atrai gigantes de alimentos

BrasilO Globo, Brasil 21 de junio de 2026

O mercado de vitaminas, minerais e suplementos alimentares (VMS, no jargão do setor) vive ...

O mercado de vitaminas, minerais e suplementos alimentares (VMS, no jargão do setor) vive uma nova onda de fusões e aquisições no mundo, à medida que multinacionais de alimentos correm para alinhar seus portfólios às tendências de consumo ligadas a saúde, bem-estar e conveniência.
Segundo especialistas, os suplementos estão se tornando uma categoria mais recorrente do consumidor comum, complementar à rotina de atividades físicas. As marcas desse segmento chamaram a atenção de grandes conglomerados por terem construído comunidades engajadas em torno de seus produtos, o que é valioso para companhias mais tradicionais que buscam espaço entre consumidores jovens.
Recentemente, a Nestlé anunciou que assumirá o controle da yfood Labs, empresa alemã de "comidas inteligentes" que produz barras e bebidas que podem substituir uma refeição e chegam a 30 países. A gigante suíça de alimentos já tem 49% da companhia desde 2023. Outro negócio recente foi a compra pela Lactalis da Protein Works, que vende uma ampla gama de produtos, como shakes de proteína, suplementos e snacks.
Em março, a Danone firmou acordo para adquirir a britânica Huel, conhecida por soluções de refeições completas, como bebidas prontas e alimentos em pó. No ano passado, foi a vez do grupo Ferrero, dono de marcas como Nutella e Ferrero Rocher, comprar a Bold Snacks, fabricante de barrinhas de proteína.
Fator cultural
Adam Patterson, economista e sócio da Redirection International, afirma que uma combinação de fatores estruturais explica o maior interesse das gigantes de alimentos por VMS, como o envelhecimento da população e a crescente preocupação com longevidade. Além disso, segundo o especialista, o segmento mantém crescimento consistente, com margens elevadas enquanto outras categorias dentro desses grandes conglomerados avançam menos.
" O ponto mais interessante é que suplementos deixaram de ser nichos para atletas e estão ocupando mais espaço no orçamento de famílias, transformando a categoria em um segmento de consumo recorrente. Essas empresas conseguiram construir marcas fortes, com canais digitais, comunidades de pessoas engajadas, o que é valioso para grandes empresas " explica.
Patterson ressalta, no entanto, que o principal desafio na integração das marcas não é operacional, mas cultural:
" Muitas dessas marcas de VMS cresceram por meio de um conceito de empreendedorismo. Quando passam a fazer parte de uma multinacional, há um risco de perder características que impulsionaram seu crescimento e autenticidade. O consumidor desse segmento é mais atento ao propósito dos produtos. Se a marca perder sua identidade, parte do valor da transação será comprometido.
Outro patamar
Roberto Kanter, economista e professor da FGV, lembra que grandes empresas de alimentos operam em nichos de consumo de alto giro, nos quais o ganho vem da escala. Esse interesse em VMS indica que esses produtos mudaram de patamar, deixando nichos em alguns mercados, e valem mais para as grandes incorporá-los que desenvolver essas inovações internamente:
" Esse mundo saudável não é mais moda. Deixou de ser um consumo só da elite.
La Nación Argentina O Globo Brasil El Mercurio Chile
El Tiempo Colombia La Nación Costa Rica La Prensa Gráfica El Salvador
El Universal México El Comercio Perú El Nuevo Dia Puerto Rico
Listin Diario República
Dominicana
El País Uruguay El Nacional Venezuela