Mercado de papel deixa editoras em alerta
A descontinuação inesperada de um tipo de papel que vinha ganhando relevância na produção ...
A descontinuação inesperada de um tipo de papel que vinha ganhando relevância na produção brasileira de livros está deixando o mercado editorial em alerta. As editoras vêm sendo comunicadas, ao longo das últimas semanas, sobre o fim iminente do Ivory, papel off-white (aquele de cor creme) que, desde a pandemia, consolidou-se como principal concorrente do líder do segmento, o Pólen, fabricado pela Suzano.
Para as editoras, a notícia aumenta a concentração de mercado no fornecimento de seu principal insumo em um momento de expansão das vendas de livros " e gera especulações sobre supostas razões anticoncorrenciais por trás do movimento.
O Ivory é fabricado pela BO Paper, uma das maiores produtoras de papéis para publicações da América Latina. Ele caiu no gosto das editoras brasileiras desde 2020 por oferecer qualidade semelhante à do Pólen por um preço mais em conta. O Ivory passou a ser usado por casas dos mais diversos perfis, da Panini e da Rocco à Aleph, de romances a mangás.
Só que, nas últimas semanas, editoras e gráficas começaram a ser avisadas de que novos pedidos de Ivory não devem ser entregues. Por ora, as comunicações são extraoficiais, sem anúncio formal. A coluna entrou em contato com a BO Paper por e-mail, na quarta e na quinta-feira, em busca de esclarecimentos, mas não obteve resposta.
Compra de fábrica
A notícia coincide com uma transação societária. A Ibema, uma das maiores fabricantes de papel-cartão do Brasil, comprou o braço de pasta celulósica de alto rendimento da BO Paper. Com a aquisição, a Ibema levou a fábrica que a BO Paper tinha em Arapoti (PR). Segundo fontes, é justamente nessa fábrica que a companhia produzia o Ivory.
A Ibema comprou o negócio para fortalecer sua posição no mercado de papel-cartão, mas sua estrutura societária desencadeou uma série de especulações. Desde 2015, a Suzano " justamente a fabricante do Pólen " detém quase metade da Ibema. (Embora seja de 49,9%, a participação da Suzano é considerada minoritária.)
Sem provas concretas, editoras acreditam que a fatia da Suzano pode ter influenciado o apetite da Ibema na escolha do alvo da aquisição. A coluna procurou a Suzano para que comentasse a notícia e as especulações, mas a companhia não quis se pronunciar.