Com guerra no irã, bolsa empata com renda fixa no 1º semestre
Se o ano começou com o ímpeto da perspectiva de redução de juros nas principais economias ...
Se o ano começou com o ímpeto da perspectiva de redução de juros nas principais economias globais, a guerra no Irã fez investidores e bancos centrais revisarem suas projeções para a política monetária. Com isso, o Ibovespa, que subiu 23,5% no ano até abril, equiparou-se aos rendimentos de renda fixa e fechou o primeiro semestre com valorização de 6,76%. O CDI, taxa semelhante à Selic e que baliza aplicações de renda fixa, rendeu 6,84%.
" Um conjunto de fatores promoveu a queda (da Bolsa), como a reprecificação da taxa de juro dos EUA e de um ciclo de queda menor no Brasil " diz Alessandro Sant’Anna, da gestora ARX.
Ontem, o Ibovespa fechou em baixa de 0,68%, aos 172.024 pontos. O ingresso do investidor estrangeiro na Bolsa brasileira, que garantiu sucessivos recordes e chegou a somar R$ 65 bilhões, diminuiu e agora beira os R$ 33 bilhões. Isso ocorre porque, diante da elevação do preço do barril do petróleo acima dos US$ 100 por mais de três meses e do consequente impacto na inflação, investidores já apostam em aumento de juros nos EUA, o que tende a atrair para lá capitais alocados em outros países. O Bank of America prevê três altas na taxa básica americana este ano.
RENDA FIXA SEGUE ATRAENTE
Além da perspectiva de juros maiores nos EUA, a trégua na guerra também contribui para a valorização do dólar por aqui, avalia Gabriel Costa, estrategista do Santander. A moeda fechou ontem a R$ 5,17 e acumulou queda de 5,94% no 1º semestre, mas subiu 2,39% em junho.
" O barril mais alto beneficiou bastante a entrada de divisas no Brasil, mas, com ele se aproximando dos US$ 70 novamente, perdemos a atratividade da moeda " afirma Costa.
O ouro, visto como ativo de proteção, caiu 7,36% no período, enquanto a criptomoeda Bitcoin derreteu 33,4%:
" Juros mais altos (nos EUA) fortalecem o dólar, tornam os títulos americanos mais atraentes e reduzem o apetite por ativos mais voláteis " diz Fabrício Tota, do Mercado Bitcoin.
No primeiro semestre, a tradicional caderneta de poupança rendeu pouco mais de 4%. As aplicações em renda fixa seguem atraentes, mesmo após a queda na Taxa Selic de 15%, em março, para 14,25% em junho. Títulos do Tesouro atrelados à inflação estão pagando juros recordes, acima de 8% ao ano mais IPCA.
Para Larissa Frias, do C6 Bank, o aumento das expectativas de inflação e a força do dólar no exterior devem contribuir para uma queda menor na Selic, o que deve manter os títulos remunerados a altas taxas por um período maior. Para ela, a aproximação das eleições de outubro também deve impactar o retorno das aplicações:
" O cenário eleitoral também é um fator que movimenta mais o mercado e dá muita incerteza.
Larissa lembra que o investidor precisa ter sempre em mente o prazo de resgate e ressalta que é preciso entender se as características dos investimentos "estão adequadas ao momento de vida do investidor, com a liquidez necessária (prazo para resgate)". Fundos de investimento que perseguem a renda fixa são boas alternativas para quem não deseja administrar todas as melhores opções, avalia a planejadora do C6 Bank.