Investigação da pf mira pré-candidata a vice de paes
O ex-prefeito de Duque de Caxias Washington Reis (MDB) e sua irmã, Jane Reis (MDB), ...
O ex-prefeito de Duque de Caxias Washington Reis (MDB) e sua irmã, Jane Reis (MDB), pré-candidata a vice-governadora do Rio na chapa de Eduardo Paes (PSD), estão entre os investigados na segunda fase da Operação Anáfora. A ação deflagrada ontem pela Polícia Federal visa desbaratar um esquema de lavagem de dinheiro decorrente do desvio de recursos públicos, principalmente da área da saúde. Ao todo, os agentes cumpriram 14 mandados de busca e apreensão " dez expedidos pela 6ª Vara Federal Criminal e quatro pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF2), em razão do atual entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a manutenção do foro por prerrogativa de função mesmo após o fim do mandato.
Nessa nova etapa, embora não tenha sido alvo de busca e apreensão, Jane Reis é suspeita de atuar como laranja no esquema de lavagem de dinheiro envolvendo empresas do irmão. Uma delas seria do ramo de empreendimentos imobiliários, com endereço no centro do Rio. Procurada, a pré-candidata negou estar envolvida em crime de lavagem de dinheiro e disse ter tomado ciência das investigações apenas pela imprensa. Ela também afirmou que nunca foi chamada pela Justiça ou pela polícia para prestar esclarecimentos.
Paes mantém a chapa
Eduardo Paes vai manter Jane em sua chapa, segundo informou o colunista Lauro Jardim em seu blog no GLOBO. O argumento, de acordo com aliados, é de que a irmã do ex-prefeito não foi alvo direto da operação de ontem e, até onde se sabe, trata-se de uma investigação.
Ao cumprirem ontem os mandados em endereços no Rio, em Niterói e em Caxias, os agentes apreenderam R$ 450 mil em espécie em uma das salas da Laticínios Vale Carioca, em Xerém, distrito de Caxias, na Baixada Fluminense. Segundo a corporação, o dinheiro estava escondido embaixo de um sofá. A empresa tem como sócios Carlos Tadeu Ferreira Vieira e Rodrigo Rangel, que foi secretário da Casa Civil na gestão de Washington Reis na prefeitura. De acordo com a investigação, o ex-prefeito seria dono da Vale Carioca, o que ele nega.
Na primeira fase da Operação Anáfora, em 2022, Washington Reis era candidato a vice-governador na chapa de Cláudio Castro (PL), mas acabou substituído por Thiago Pampolha. O objetivo da PF era investigar um suposto favorecimento na contratação de cooperativa de trabalho pela prefeitura de Caxias, por valores que, somados o contrato e seus aditivos, totalizavam R$ 563,5 milhões em pouco mais de dois anos.
também na rede estadual
De acordo com a decisão da Justiça que autorizou a busca e apreensão na primeira fase, a PF suspeitou de favorecimento na contratação da Renascer Cooperativa de Trabalho (Renacoop), para a prestação de serviços na rede de saúde municipal.
A Polícia Federal também sustentou que a Renacoop integraria um grupo de empresas ligado a um esquema de corrupção na rede estadual de saúde, que levou ao impeachment do ex-governador Wilson Witzel. Segundo a investigação, a fraude teria sido mantida em contratos na prefeitura de Caxias. A investigação aponta ainda que Washington Reis " que foi secretário estadual de Transportes na gestão de Cláudio Castro " seria o responsável pelo esquema. Nesse contexto, a compra, pela Renacoop, de tanques para criação de peixes na Fazenda Paraíso, centro de tratamento de dependentes químicos da prefeitura de Caxias, teria sido o pagamento de propina em troca da manutenção dos interesses dessas empresas no município.
Na época, o então governador e candidato à reeleição ao governo do Rio, Cláudio Castro, afirmou respeitar o trabalho da Polícia Federal e da Controladoria-Geral da União (CGU) e que aguardaria os desdobramentos da operação, mas Reis acabou deixando a chapa.
Em nota enviada ao RJTV, Washington Reis disse que as empresas citadas e alvos da operação de ontem não são de sua propriedade e que não tem qualquer participação. O político destacou que colabora com as investigações e que nada foi encontrado que desabone sua conduta. Acrescentou que é o maior interessado na investigação "para que os culpados respondam pelos crimes cometidos".