Vendas de veículos devem subir 12,1% no ano, o maior nível desde 2014
As vendas de veículos no Brasil devem passar de 3 milhões de unidades este ano, marca não ...
As vendas de veículos no Brasil devem passar de 3 milhões de unidades este ano, marca não atingida desde 2014 e que representa um crescimento de 12,1% em relação a 2025, segundo estimativa da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) divulgada ontem. Porém, o ritmo previsto de aumento da produção nacional é menor, de 5,8% (2,7 milhão de veículos), revelando um significativo descolamento em relação às vendas devido, principalmente, ao aumento das importações.
" Sempre os resultados do emplacamento e da produção nacional caminham juntos. Mas este ano o emplacamento será bem maior, reflexo do crescimento das importações. A produção cresce, mas proporcionalmente menos que o tamanho do mercado " disse Igor Calvet, presidente da Anfavea ao apresentar os números.
A entidade, que representa as montadoras instaladas no país, previa no início do ano que as vendas de veículos chegariam a 2,7 milhões de unidades, alta de 2,7% em relação a 2025. Mas os emplacamentos de veículos leves tiveram forte dinamismo no primeiro semestre (crescendo dois dígitos em alguns meses), o que levou a uma revisão das projeções.
EXPORTAÇÃO 12,8% MENOR
As exportações devem ficar em 462 mil unidades, queda de 12,18%. A estimativa inicial era de vendas ao exterior de 532 mil veículos este ano, o que representaria uma alta de 1,3%.
No primeiro semestre o emplacamento foi de 1,42 milhão de unidades, aumento de 18,5% sobre o mesmo período de 2025. Foram importados 280 mil veículos no período, sendo 140 mil da China, um crescimento de 98,5% em relação ao mesmo período de 2025, quanto 71 mil unidades chinesas desembarcaram no Brasil.
A importação de veículos eletrificados, no mesmo período, ficou em 145,9 mil, superando a importação de modelos a combustão (134,5 mil) e sinalizando a preferência do consumidor pela tecnologia. Também no primeiro semestre, veículos montados no Brasil pelo sistema CKD (kits de peças totalmente separadas) e SKD (kits de veículos que chegam semimontados) somaram 54 mil unidades.
Calvet diz que não se pode brigar com a realidade no cenário de mudança em que os veículos eletrificados crescem na preferência do consumidor.
" O que eu chamo a atenção é a rapidez da mudança. Para sistemas de produção complexos como o nosso é preciso tempo. Talvez o setor automotivo nunca tenha passado por uma mudança tão rápida " avalia.
Calvet voltou a citar a preocupação com o sistema produtivo nacional, especialmente após a renovação das cotas sem impostos dos CKDs e SKDs importados, decisão tomada pelo governo em junho, que beneficiou especialmente a montadora chinesa BYD.
" Não adianta ter no Brasil uma produção sofisticada e complexa e ao mesmo tempo ter incentivos para fazer outra coisa (montagem por CKDs a SKDs). Nossa briga não é com a tecnologia, mas sim contra o incentivo dado a isso. A luta é por condições iguais de competitividade " disse o presidente da Anfavea.
Segundo Calvet, no sistema de kits semimontados são necessários apenas três trabalhadores para montar um veículo, enquanto numa montadora tradicional são dez trabalhadores por unidade. Ele vê risco de outras montadoras migrarem para o sistema de CKDs e SKDs.
" A decisão é global das montadoras, mas ninguém vai ficar de braços cruzados vendo o outro ganhar mercado. Vejo o risco, sim. E se o modelo de produção for SKD e CKD, o posicionamento da Anfavea deixa de fazer sentido. Mas enquanto isso não acontecer a Anfavea vai lutar pela produção nacional " disse.
SEM AÇÃO SOBRE COTAS
Calvet informou que a Anfavea decidiu não judicializar a renovação das cotas decidida pelo governo. Segundo ele, uma ação contra a Câmara de Comércio Exterior (Camex) poderia levar anos, enquanto as cotas têm validade de seis meses.
Mesmo assim, a direção da Anfavea decidiu que fará uma representação junto ao Ministério Público de Contas para pedir uma série de mudanças na gestão da governança da Camex, colegiado vinculado diretamente à Presidência da República e integrado por representantes de ministérios da área econômica.
" O rito de governança da Camex precisa ser aprimorado. Não houve publicação prévia da agenda, nem contraditório " disse Calvet.