Seara aposta na oferta de cortes de carne de porco para o varejo
A carne de porco está ganhando espaço na mesa do brasileiro. É um avanço que impulsiona mudanças ...
A carne de porco está ganhando espaço na mesa do brasileiro. É um avanço que impulsiona mudanças de hábito no consumidor em um momento de alta no preço da carne bovina, quando as pessoas buscam outras fontes de proteína para incluir nas refeições. Esse crescimento levou a Seara, marca da JBS, a botar de pé em 2020 um programa para fornecer cortes suínos a supermercados parceiros. A meta da marca é que esses cortes, juntamente com itens temperados e soluções prontas para serem levadas ao forno ou à air fryer, representem 60% da receita em suínos já no ano que vem, avançando sobre os 49% atuais.
Um componente por trás desse movimento é o potencial de expansão do consumo de carne suína no Brasil, explica João Campos, presidente da Seara. Enquanto em outros mercados mais maduros no exterior, a exemplo de Europa, Estados Unidos, Japão e China, o consumo anual por pessoa fica entre 30 e 40 quilos, no Brasil esse volume é de aproximadamente 20 quilos, compara.
" Já avançamos. Lá em 2020, estava em 16 quilos. Olhamos como fazer com que a carne suína participe mais do dia a dia das refeições dos brasileiros. Antigamente, ela era limitada a alguns cortes, uma bisteca, um lombo " destaca Campos. " Trabalhamos junto com os supermercados para trazer cortes com os quais as pessoas tenham afinidade para usar, como alcatra suína, patinho suíno, um corte super magro, que pode ser feito em bife ou como estrogonofe.
Dados da Associação Brasileira de Criadores de Suínos (ABCS) apontam que o consumo per capita no país encerrou 2025 em 20,2 quilos, expansão de 35% em dez anos. O salto é creditado principalmente ao preço competitivo dessa proteína, a diversificação de cortes, além de iniciativas para promover o consumo da carne de porco.
Demanda por proteína
A alimentação no domicílio vem pesando no bolso dos brasileiros, com aumento de preços acumulado de 5,68% de janeiro a maio, segundo dados do IBGE, quase o dobro da inflação geral para o consumidor no período, que ficou em 3,20%. Nesses cinco meses, as carnes registraram alta de 6,28%. Recortando essa taxa pelos tipos, porém, houve um salto de 9% para o filé mignon e a alcatra, por exemplo, enquanto a carne de porco teve um recuo de 4,14%, e aves e ovos caíram 0,60%. Já pescados subiram 3,67%.
" Haverá um momento em que o suíno vai estar mais alto e um momento em que o suíno vai estar mais baixo, até pela própria natureza das commodities. O que a gente vê, ao longo dos anos, é que o foco é nessa agregação de valor: entregar o suíno de uma maneira mais diversa, mais versátil para o uso no dia a dia " pondera Campos.
No primeiro trimestre deste ano, 15,27 milhões de cabeças de suínos foram abatidas no Brasil, aumento de 5,5% em comparação ao mesmo período de 2025 e o melhor resultado nos primeiros três meses do ano na série histórica, mostram dados do IBGE. A produção de proteínas, como um todo, avança. Há outros componentes nesse cenário, como o advento das canetas emagrecedoras, que fizeram saltar o consumo de proteína.
" Em 2020, a carne suína estava em 75% dos lares do país. Hoje, ela está em 93%. Então, o nosso trabalho não é entrar em mais lares, é aumentar a frequência de consumo para o mercado que já consome " explica o presidente da Seara.
A alta no preço da carne bovina está levando os consumidores a buscar outras opções de proteína mais acessíveis, segundo a consultoria Kantar. Nesse processo, suínos, frango e ovos avançam em ocasiões de consumo, estando presentes em mais refeições à mesa dos brasileiros. São alternativas que vão galgando espaço enquanto as porções de carne de boi recuam em frequência e quantidade.
Parceria com o varejo
O caminho da marca da JBS para impulsionar essa incorporação de suínos na rotina de alimentação dos brasileiros foi mirar uma apresentação com cortes padronizados, contando com um frigorífico dedicado a esse segmento e a implementação do Açougue Suínos Seara Reserva. O programa conta com um portfólio de opções de cortes de carne similares àqueles que o consumidor já tem costume de usar, como filé, picanha, alcatra e outros.
Em paralelo, a Seara passou a firmar parcerias com supermercados do país " mais de 1.300 lojas já integram o programa, incluindo redes como Prezunic, Assaí, Atacadão, Mundial e Guanabara. Os açougues dessas unidades passam a contar com equipamentos de refrigeração específicos para esses produtos, enquanto os funcionários são treinados regularmente por uma equipe de mais de 150 pessoas da Seara.
Segundo Campos, essa estratégia se traduz em eficiência na cadeia de produção entre a indústria e o varejo, reduz perdas, traz padronização à oferta, otimiza processos e agrega valor aos açougues dessas lojas, ampliando as vendas.
Trata-se de uma estratégia diferente da usada pela Swift, outra marca do grupo JBS, que tem um portfólio de produtos congelados e rede de lojas próprias, além de unidades dentro de supermercados. Com a Seara, marca de aves e suínos da companhia, os cortes suínos são comercializados resfriados, podendo ser preparados de imediato.
20,2kg
de carne suína foram consumidos por pessoa em 2025
Dado da ABCS aponta expansão de 35% nesse volume em
um período de dez anos