Crise na volkswagen se agrava, e sindicato alemão resiste a cortes
A multinacional Volkswagen admitiu ontem em sua matriz, na Alemanha, que enfrenta um cenário ...
A multinacional Volkswagen admitiu ontem em sua matriz, na Alemanha, que enfrenta um cenário internacional desafiador após registrar queda de 8,6% nas vendas globais de veículos no segundo trimestre, totalizando 2,08 milhões de unidades. O principal peso para o resultado negativo veio da China, e o lucro da companhia caiu 28%, para € 1,6 bilhão (US$ 1,8 bilhão) no período. No mercado chinês, o maior comprador fora da Alemanha, as vendas despencaram 36%.
Em meio à crise, o presidente do Conselho de Administração da Volkswagen, Oliver Blume, não conseguiu obter maioria no conselho de supervisão " órgão de controle do grupo no qual estão representados funcionários e acionistas " para o plano de recuperação apresentado na quinta-feira. Blume pretendia submeter à votação seu projeto de reorganização, que incluía o fechamento de quatro fábricas na Alemanha, a redução à metade no número de modelos em fabricação e a demissão de 100 mil funcionários.
Detalhes das possíveis medidas nas unidades na Alemanha e de novas demissões vazaram antes da reunião, o que irritou os poderosos representantes sindicais da VW. Cortes nesta dimensão seriam incomuns tanto para a Volks quanto para a indústria alemã, que costumam preferir mudanças graduais. Representantes dos trabalhadores e líderes políticos do estado alemão da Baixa Saxônia têm maioria no conselho de supervisão da empresa, composto por 20 integrantes, e já haviam sinalizado que não apoiariam reduções tão profundas.
" Nós, trabalhadores, não causamos essa crise " afirmou Daniela Cavallo, presidente do poderoso conselho de trabalhadores da Volkswagen, durante um protesto na sede da empresa, em Wolfsburg, que reuniu várias centenas de funcionários. " A administração precisa fazer a sua parte, assim como os políticos, enquanto nós já demonstramos estar prontos para cumprir a nossa.
A Volks possui 111 unidades de produção em todo o mundo. Entre suas marcas estão Audi, Porsche, Skoda, Lamborghini e Bentley. A montadora também controla 88% da Traton, fabricante dos caminhões MAN, Scania e International.