50 anos sem jk e do sonho de um país que parecia que ia dar certo
O Museu da República prepara uma exposição para lembrar Juscelino Kubitschek (1902-1976), cuja ...
O Museu da República prepara uma exposição para lembrar Juscelino Kubitschek (1902-1976), cuja morte completa 50 anos no próximo dia 22 de agosto. A mostra reunirá fotografias, maquetes, documentos e vídeos sobre sua trajetória política e sua ligação com o Palácio do Catete, de onde governou o Brasil por quatro anos, até a transferência da capital para Brasília, em 1960.
Foi no Catete (foto), por exemplo, que ele recebeu, em 2 de agosto de 1958, Pelé, Garrincha, Didi e outros integrantes da seleção brasileira, que acabara de se sagrar campeã do mundo pela primeira vez, na Suécia.
"JK presidiu o Brasil numa época gloriosa", lembra o historiador Israel Beloch. "Ele mostrou tolerância com os opositores mais radicais, esbanjou dinamismo ao erguer Brasília, construir hidrelétricas, abrir estradas e implantar as indústrias automobilística e naval. E comandou, com irresistível sorriso, um clima nacional de otimismo, marcado, além da vitória na Copa de 1958, pelo surgimento do Cinema Novo e da Bossa Nova", diz. "Tudo isso num clima de democracia", enfatiza Beloch.
Em tempo: a morte de JK foi, por décadas, tratada como resultado de um acidente de trânsito envolvendo o Chevrolet Opala em que ele viajava e um caminhão, na Via Dutra. Mas, em maio último, a Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP), do governo federal, publicou relatório concluindo que o ex-presidente teria sido, na verdade, assassinado em uma ação orquestrada pela ditadura militar. Segundo o documento, seu prestígio popular estaria incomodando os generais de plantão.