Pré-sal projeta país como exportador, mas repor reservas é o maior desafio
20 anos da descoberta
20 anos da descoberta
novo horizonte
Em meio às incertezas provocadas pelos conflitos no Oriente Médio, que voltaram a reacender preocupações sobre a segurança do abastecimento global, o Brasil atravessa este momento com uma vantagem construída ao longo das últimas duas décadas: o pré-sal. A descoberta, que completa neste mês 20 anos, tornou o país autossuficiente em petróleo e o colocou entre os principais exportadores e produtores do mundo.
Mas essa segurança pode não durar. Com os campos gigantes do pré-sal se aproximando do declínio natural na próxima década e a demora na abertura de novas fronteiras exploratórias, o Brasil corre o risco de voltar a depender de importações de petróleo caso não consiga repor reservas.
A expectativa agora está voltada para a Margem Equatorial, entre o litoral do Amapá e Rio Grande do Norte, onde a Petrobras deve concluir no próximo mês a perfuração do primeiro poço na Bacia da Foz do Amazonas após mais de dez anos esperando o licenciamento ambiental.
"O desafio agora é uma corrida contra o tempo. O pré-sal deve entrar em declínio a partir de 2033. A busca por novas áreas precisa acontecer imediatamente. Se não acelerarmos a atividade exploratória para repor reservas, corremos o risco real de retroceder e voltar à posição de país importador de petróleo até o fim da próxima década " diz Roberto Ardenghy, presidente do Instituto Brasileiro de Petróleo (IBP).
Vinte anos após a descoberta, o pré-sal responde por mais de 80% das reservas provadas e da produção. Jean Paul Prates, ex-presidente da Petrobras, lembra que o pré-sal vai atingir o pico de 5,3 milhões de barris de petróleo por dia em 2030, mas deverá cair para 4,4 milhões já em 2034:
" O Brasil precisa continuar, ao mesmo tempo, a explorar o pré-sal, revitalizar campos maduros, desenvolver bacias terrestres e avaliar novas fronteiras. O petróleo será necessário por décadas, inclusive para petroquímica, aviação, navegação e fertilizantes.
Prates lembra que a busca por novas áreas no Brasil vai ocorrer em um cenário marcado por maior concorrência internacional, com o avanço de países como Guiana e Suriname, vizinhos à Margem Equatorial, além da retomada da Venezuela.
" Temos ainda o Equador, que procura reorganizar sua indústria e atrair capital privado. E o Brasil perdeu tempo, mas ainda há margem para competir, desde que haja planejamento, previsibilidade regulatória e capacidade administrativa " diz Prates.