Lunes, 27 de Julio de 2026

Pré-sal projeta país como exportador, mas repor reservas é o maior desafio

BrasilO Globo, Brasil 27 de julio de 2026

20 anos da descoberta

20 anos da descoberta
novo horizonte
Em meio às incertezas provocadas pelos conflitos no Oriente Médio, que voltaram a reacender preocupações sobre a segurança do abastecimento global, o Brasil atravessa este momento com uma vantagem construída ao longo das últimas duas décadas: o pré-sal. A descoberta, que completa neste mês 20 anos, tornou o país autossuficiente em petróleo e o colocou entre os principais exportadores e produtores do mundo.
Mas essa segurança pode não durar. Com os campos gigantes do pré-sal se aproximando do declínio natural na próxima década e a demora na abertura de novas fronteiras exploratórias, o Brasil corre o risco de voltar a depender de importações de petróleo caso não consiga repor reservas.
A expectativa agora está voltada para a Margem Equatorial, entre o litoral do Amapá e Rio Grande do Norte, onde a Petrobras deve concluir no próximo mês a perfuração do primeiro poço na Bacia da Foz do Amazonas após mais de dez anos esperando o licenciamento ambiental.
"O desafio agora é uma corrida contra o tempo. O pré-sal deve entrar em declínio a partir de 2033. A busca por novas áreas precisa acontecer imediatamente. Se não acelerarmos a atividade exploratória para repor reservas, corremos o risco real de retroceder e voltar à posição de país importador de petróleo até o fim da próxima década " diz Roberto Ardenghy, presidente do Instituto Brasileiro de Petróleo (IBP).
Vinte anos após a descoberta, o pré-sal responde por mais de 80% das reservas provadas e da produção. Jean Paul Prates, ex-presidente da Petrobras, lembra que o pré-sal vai atingir o pico de 5,3 milhões de barris de petróleo por dia em 2030, mas deverá cair para 4,4 milhões já em 2034:
" O Brasil precisa continuar, ao mesmo tempo, a explorar o pré-sal, revitalizar campos maduros, desenvolver bacias terrestres e avaliar novas fronteiras. O petróleo será necessário por décadas, inclusive para petroquímica, aviação, navegação e fertilizantes.
Prates lembra que a busca por novas áreas no Brasil vai ocorrer em um cenário marcado por maior concorrência internacional, com o avanço de países como Guiana e Suriname, vizinhos à Margem Equatorial, além da retomada da Venezuela.
" Temos ainda o Equador, que procura reorganizar sua indústria e atrair capital privado. E o Brasil perdeu tempo, mas ainda há margem para competir, desde que haja planejamento, previsibilidade regulatória e capacidade administrativa " diz Prates.
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