Rejeição a acordo distancia ainda mais netanyahu de trump
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, reiterou ontem sua rejeição ao acordo ...
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, reiterou ontem sua rejeição ao acordo para a próxima fase do plano de paz para a Faixa de Gaza, em um novo distanciamento em relação ao presidente Donald Trump. No mesmo dia, Basem Naim, integrante da ala política do Hamas, pediu que Washington pressione Israel a não obstruir o processo por razões políticas internas, em referência à acirrada corrida para as eleições previstas para 27 de outubro.
Pressionado por seus aliados de extrema direita, o líder israelense vinha intensificando há dias as críticas ao plano anunciado por Trump, no final de julho, que prevê o desarmamento do Hamas e a retirada israelense do território palestino. Ontem reiterou que as forças israelenses "não se retirarão até que o Hamas esteja realmente desarmado".
" Me disseram: "Você não falou [claramente]". Então digo mais uma vez: Israel rejeita o documento de 15 pontos. " disse. " E quando eu digo desarmamento do Hamas, isso significa (...) todas as armas. Estamos falando sobre desarmamento real, não fictício.
Autoridade israelense há mais tempo no poder, Netanyahu busca a reeleição no pleito legislativo de outubro, o primeiro desde o ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023, que desencadeou a guerra em Gaza. Pesquisas de intenção de voto o apontam empatado ou até atrás de seus adversários. Também indicam que o plano para Gaza é muito impopular entre sua base eleitoral conservadora e seus aliados de extrema direita.
Recentemente, o premier fazia campanha destacando a solidez de sua relação com Trump. Em fevereiro, o presidente americano se juntou a Netanyahu na campanha de bombardeios contra o Irã. Mas, em abril, surgiram atritos quando o republicano tentou negociar um cessar-fogo com Teerã, ao qual o dirigente israelense era contra.
Na semana passada, quando Israel e Líbano mantinham negociações mediadas pelos EUA, Netanyahu ordenou novos ataques contra o grupo Hezbollah, apoiado pelo Irã. O último embate entre ambos é o acordo para o desarmamento do Hamas, que Trump havia qualificado como "um passo monumental rumo a paz e segurança duradouras".