Lunes, 17 de Agosto de 2026

Casas bahia tem prejuízo de r$ 10,1 bi e avalia recuperação extrajudicial ou judicial

BrasilO Globo, Brasil 17 de agosto de 2026

Ao divulgar ontem um prejuízo de R$ 10,1 bilhão no segundo trimestre " 18 vezes maior que a perda ...

Ao divulgar ontem um prejuízo de R$ 10,1 bilhão no segundo trimestre " 18 vezes maior que a perda de R$ 555 milhões de igual período de 2025 ", a Casas Bahia reconheceu a possibilidade de ter de recorrer a uma recuperação extrajudicial ou judicial para reestruturar suas finanças e reajustar sua operação. Além disso, a EY, auditoria externa da companhia, não opinou sobre as demonstrações financeiras, citando "incerteza relevante relacionada à continuidade operacional da companhia".
No relatório que acompanha as demonstrações financeiras, a Casas Bahia diz que, "diante de um ambiente de crédito mais restritivo e de um cenário macroeconômico mais adverso do que o previsto, com taxas de juros ainda elevadas, consumo das famílias pressionado e disputa crescente pelo orçamento doméstico", intensificou o redimensionamento da companhia na segunda fase do seu plano de transformação, "priorizando canais e categorias de maior margem e rentabilidade, reduzindo o capital empregado e o custo de financiamento, de forma a fortalecer a geração de caixa livre e assegurar uma operação sustentável e autofinanciável".
Fechamento de lojas
A companhia afirma que esta segunda fase de reestruturação inclui o fechamento de lojas, a adequação dos estoques, do capital de giro e do quadro de funcionários.
No balanço, a Casas Bahia informa o fechamento de 298 lojas físicas, além de um quadro com 30.117 colaboradores, 1.622 a menos que no início de 2025.
No LinkedIn há inúmeros relatos de funcionários demitidos, desde empregados com pouco tempo de casa até aqueles com mais de duas décadas de experiência no grupo.
A companhia informou ainda que está revisando os níveis e a composição dos estoques, o sortimento e os volumes de compras, buscando melhorar o capital de giro e reduzir estruturalmente a necessidade de capital empregado.
Em termos ajustados, o prejuízo da varejista foi de R$ 978 milhões, 76% maior que o apontado um ano antes. O resultado financeiro líquido foi negativo em R$ 1,278 bilhão no trimestre, ante R$ 1,147 bilhão no segundo trimestre de 2025, ainda pressionado pelo elevado custo de capital no Brasil.
Renegociação de dívidas
Segundo os dados divulgados pela companhia, a receita líquida cresceu 1,6%, para R$ 6,97 bilhões, mas o resultado trimestral foi impactado em R$ 9,1 bilhões por eventos não recorrentes como baixa de ativos, gastos com reestruturação, contratos não performados e IR diferido.
O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) ajustado recuou a R$ 518 milhões (-9,4%).
O mercado acompanha com atenção a trajetória da companhia, que já havia reportado um prejuízo de R$ 1,06 bilhão no primeiro trimestre, a despeito dos avanços no segmento digital. Desde o início deste ano, as ações da varejista tombaram quase 79% e estão cotadas a R$ 0,66.
O mais provável, afirma uma fonte do setor varejista, é que a Casas Bahia inicie um novo processo de renegociação de dívidas com credores, sob o risco de, ainda assim, emendar em uma recuperação judicial.
A companhia passou por um processo de recuperação extrajudicial em 2024, quando conseguiu acordo para reperfilar R$ 4,1 bilhões em dívidas com Bradesco e Banco do Brasil.
avanço em marketplaces
Em meados do ano passado, informou que a Mapa Capital iria assumir títulos de dívida da empresa (debêntures conversíveis em ações detidas pelos dois bancos credores da varejista). Na sequência, foi feito um aumento de capital por meio da emissão de novas ações entregues à Domus, subsidiária da Mapa, em pagamento às debêntures. Ela soma hoje 82,11% do capital da Casas Bahia.
No mercado, o entendimento é que a Mapa Capital está "passando a régua 3", num esforço para recolocar a Casas Bahia nos trilhos. Um pilar central tem sido expandir as operações no digital, crescendo em marketplaces. Nessa direção, a varejista fechou parcerias com Mercado Livre, Amazon e Shopee. A meta é reduzir os custos fixos "de forma agressiva" para gerar caixa, conta uma pessoa próxima à companhia.
A divulgação dos resultados financeiros do segundo trimestre da empresa foi adiada duas vezes. A previsão inicial era de que os números seriam tornados públicos na quarta-feira passada. A data foi adiada para sexta-feira, o prazo limite, mas o balanço só acabou sendo divulgado na madrugada de domingo.
O atraso na prestação de informação à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) prevê pagamento de multa ordinária.
A administração da Casas Bahia diz que continua avaliando alternativas operacionais, financeiras, societárias e estratégicas adicionais. E alerta que a implementação das iniciativas está sujeita a riscos de execução e, em determinados casos, à negociação, concordância ou participação de terceiros, não havendo garantia de que produzirão os resultados esperados nos montantes ou prazos considerados pela diretoria.
(Colaborou Leticia Lopes)
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