Sábado, 22 de Agosto de 2026

Petrobras e pemex buscam petróleo em rochas jurássicas

BrasilO Globo, Brasil 22 de agosto de 2026

As duas maiores petroleiras da América Latina fazem uma aposta de alto risco para tentar ...

As duas maiores petroleiras da América Latina fazem uma aposta de alto risco para tentar acessar uma vasta reserva de petróleo em rochas de 160 milhões de anos. A Petrobras e a Pemex uniram forças para investigar uma camada da crosta terrestre sob o Golfo do México mais antiga, profunda e potencialmente mais rica em petróleo do que os atuais megacampos do mundo.
Os riscos físicos, financeiros e ambientais são enormes, diante dos desafios inerentes à perfuração em busca de petróleo a quilômetros abaixo do leito marinho, atravessando camadas rochosas instáveis e submetidas à alta pressão.
O alvo é um conjunto geológico na costa do estado mexicano de Campeche que a Pemex explorou sem sucesso em 2018. A área contrasta com os poços no lado americano do Golfo, que produzem petróleo aprisionado em rochas formadas há cerca de 20 milhões de anos. Petrobras e Pemex, por sua vez, querem perfurar formações rochosas oito vezes mais antigas, de uma era em que dinossauros e moluscos ancestrais dominavam a terra e os mares.
Para a Pemex, trata-se de uma cartada extrema para tentar se revitalizar em meio a uma dívida sufocante, à queda da produção de petróleo e a uma reputação de ineficiência e riscos à segurança. Mas a iniciativa também é relevante para o mercado global de petróleo, já que a guerra no Irã e outras turbulências geopolíticas no Oriente Médio expuseram os perigos da concentração de uma parcela tão grande da oferta em uma única região.
Rocha geradora
O incentivo para perfurar as formações mais antigas está na possibilidade de uma recompensa muito maior, pois elas constituem a chamada rocha geradora, onde detritos orgânicos foram comprimidos, submetidos a altas temperaturas e transformados em petróleo. As rochas mais jovens, em contraste, são apenas bolsões onde vazamentos provenientes das rochas geradoras ficaram aprisionados ao longo do tempo.
Equipes das duas empresas começaram nas últimas semanas a avaliar dados sísmicos e outras informações geológicas para realizar algo que nunca foi feito fora do Brasil.
" A Petrobras está entrando em território inexplorado " disse Pedro Zalan, geólogo que trabalhou em projetos de exploração na companhia durante 34 anos.
A geologia do lado mexicano do Golfo "a torna particularmente favorável à acumulação de petróleo", acrescentou Zalan.
A Petrobras tem experiência singular na exploração de rochas geradoras no pré-sal. Tentativas posteriores de outras empresas de reproduzir esse sucesso em formações do pré-sal em Angola, Gabão e República do Congo fracassaram em grande medida.
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