Lunes, 24 de Agosto de 2026

Ons faz corte emergencial de geração pela 2ª vez neste ano

BrasilO Globo, Brasil 24 de agosto de 2026

Para reduzir o excesso de oferta de energia elétrica no Sistema Interligado Nacional ...

Para reduzir o excesso de oferta de energia elétrica no Sistema Interligado Nacional (SIN), o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) acionou ontem, pela segunda vez neste ano, seu plano de gestão de excedentes nas redes das distribuidoras para equilibrar a oferta e a demanda de eletricidade. A ação emergencial interrompe a geração de energia de várias fontes para evitar um descasamento entre oferta e demanda que possa gerar apagões.
Segundo o ONS, o corte na geração (chamado tecnicamente de curtailment) foi necessário para manter o equilíbrio do sistema diante da alta geração de micro e minigeração distribuída (MMGD), que inclui as placas solares instaladas nos telhados de casas e prédios. Segundo a Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee), a restrição foi cumprida entre 11h e 13h30. Foram afetadas pequenas centrais hidrelétricas (PCHs) e usinas a biomassa, além de parques eólicos e solares que estão sob responsabilidade das distribuidoras.
Esse plano emergencial, incluindo pequenas hidrelétricas, foi adotado pela primeira vez em 7 de junho. Na ocasião, foi solicitada a suspensão da geração de 1.000 megawatts (MW) de energia entre 10h e 14h, período de maior incidência solar. O ONS não informou esses detalhes sobre o corte de ontem e nem as geradoras atingidas.
O ONS chegou a prever medida semelhante para o último Dia dos Pais, há duas semanas, para evitar o risco alto registrado na mesma data do ano anterior, mas a medida não foi necessária. Em um domingo, com as famílias tendendo a se reunir, o consumo de energia no país cai ainda mais, aumentando a disparidade em relação à geração.
Empresas sofrem perdas
A Abradee destacou neste domingo, em comunicado, que as distribuidoras seguirão cumprindo seu papel para preservar a estabilidade do SIN, mas reforçou a necessidade de maior detalhamento dos procedimentos, permitindo que eventuais cortes sejam realizados de acordo com critérios mais claros, robustos e previamente definidos.
"A ausência desses pontos pode trazer insegurança jurídica para todo o setor elétrico", afirmou a associação, referindo-se aos prejuízos financeiros que as geradoras têm com as paralisações desse tipo, que têm sido mais frequentes. Quando não geram, os empreendimentos têm de comprar energia no mercado livre para cumprir contratos.
Para a Abradee, os problemas decorrentes do excesso de geração renovável são uma realidade, "sendo urgente e necessário o aprofundamento de políticas públicas que possam reorganizar o sistema e solucionar os gargalos existentes para evitar apagões".
O ONS informou que implementou medidas operativas complementares para reduzir a produção de energia de grandes geradores sob seu controle no SIN. Quando não é suficiente, o curtailment é acionado para que o corte seja estendido também às pequenas usinas geradoras, ligadas às distribuidoras.
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