Uma longa lista de varejistas que precisaram renegociar dívidas
Na mesma semana em que a Oi teve a falência decretada pela Justiça, o Grupo Gennius, dono ...
Na mesma semana em que a Oi teve a falência decretada pela Justiça, o Grupo Gennius, dono das redes Habib's e Ragazzo, entrou em recuperação judicial. É mais uma empresa na fila das que recorreram à Justiça para pedir proteção contra credores, num esforço para reestruturar o negócio.
A crise vivida por essas empresas tem dois pontos em comum, segundo especialistas. Um é o salto no valor da dívida e a dificuldade de acesso a crédito devido ao patamar elevado da taxa de juros por um período longo. O outro é o recuo no consumo das famílias brasileiras.
Cada empresa, no entanto, tem uma trajetória própria que resultou no pedido de recuperação judicial. Em 2025, foram apresentados 977 processos à Justiça, um recorde na série histórica. Nos quatro primeiros meses deste ano, segundo dados da Serasa Experian, foram 268.
No varejo, o gargalo de crédito tem efeito de bola de neve na operação. Se há dificuldade de caixa, fornecedores suspendem o fornecimento de mercadorias. Sem estoque, as receitas caem.
Casas Bahia
Após divulgar prejuízo de R$ 10,1 bilhões no segundo trimestre, 18 vezes maior que a perda de igual período de 2025, a Casas Bahia pediu recuperação judicial somando R$ 17,3 bilhões em dívidas. Há outros R$ 11 bilhões não incluídos no processo, devidos principalmente a credores financeiros e a fornecedores de eletrodomésticos. A varejista alega que a Taxa Selic elevada e o endividamento das famílias agravaram a situação do grupo, que vive a pior crise de sua história.
Em 2024, a companhia passou por recuperação extrajudicial, quando fechou acordo com credores financeiros para reperfilar (mudar o perfil de vencimento) R$ 4,1 bilhões em débitos. Em meados do ano passado, fez emissão de novas ações para pagar títulos de dívidas que transformaram a Domus, da Mapa Capital, em controladora da empresa, hoje com 82,11% do capital. Neste mês, 300 lojas foram fechadas e três mil funcionários foram demitidos.
Lojas Marabraz
A varejista Lojas Marabraz, que chegou a contar com 135 pontos de venda no estado de São Paulo, pediu recuperação judicial informando ter R$ 140 milhões em dívidas, embora não tenha apresentado dados contábeis que devem constar na petição. O grupo alegou estar sem acesso porque uma fornecedora suspendeu o serviço que mantém o sistema em que as informações ficam armazenadas.
A crise da Marabraz é resultado de disputa societária entre membros da família Fares, que fundou o negócio. A justificativa é que imóveis comerciais e centros de distribuição usados como garantias nos contratos estavam em nome de sociedade patrimonial da família controladora. Como o controlador da Marabraz, Nasser Fares, deixou a holding, bancos pediram novas garantias, limitando a oferta de crédito.
Grupo Toky
O dono das marcas Mobly e Tok&Stok pediu recuperação judicial em maio, com dívida de R$ 1,1 bilhão. A união das duas companhias foi feita em novembro de 2024, após a Tok&Stok ter passado por recuperação extrajudicial. Juntas, somam mais de 60 lojas e 2 mil empregados.
O Toky divulgou resultados do segundo trimestre, com perda de R$ 232,7 milhões, ante prejuízo de R$ 88,9 milhões de um ano antes. As vendas tombaram 32%. No balanço, administradores explicam que o ajuizamento da recuperação judicial agravou a situação operacional no curto prazo. "O impacto temporário sobre a confiança de fornecedores e parceiros comerciais levou à interrupção do abastecimento e a severas rupturas de estoque no período", diz a apresentação.
Americanas
A varejista entrou em recuperação judicial em janeiro de 2023, dias após virem à tona inconsistências em balanços da empresa mais tarde confirmadas como uma fraude de R$ 25 bilhões. A revelação foi feita por Sérgio Rial, ex-presidente do Santander, ao renunciar ao cargo de CEO da Americanas depois de apenas nove dias na função.
A fraude era praticada de forma sistemática por meio de operações de risco sacado e contratos de verba de propaganda cooperada (VPC). Esses contratos, comuns no varejo, foram usados para inflar os lucros.
No processo de reestruturação, a empresa recebeu aporte de R$ 12 bilhões de seus sócios de referência " Jorge Paulo Lemann, Beto Sicupira e Marcel Telles " fechou centenas de lojas e vem vendendo ativos. Em março, a Americanas pediu o encerramento de seu processo de recuperação judicial.