Corrida recupera trilha desativada na chapada dos guimarães
O Parque Nacional da Chapada dos Guimarães, no Mato Grosso, ganhou uma "nova" trilha para corrida ...
O Parque Nacional da Chapada dos Guimarães, no Mato Grosso, ganhou uma "nova" trilha para corrida e turismo, a "trilha do Elisário", que estava fechada há mais de dez anos e recebeu, ontem, uma das provas da 12ª edição do Bota Pra Correr (BPC), o festival de corridas da Olympikus.
O evento reuniu 1.500 corredores, um recorde deste festival. Além dos 19km na trilha, foram disputadas provas no asfalto (12km e 21km) também em percursos inéditos, dentro da área de visitação do parque.
" Foi um percurso 100% inédito como prova. Não criamos a trilha, fizemos uma manutenção de trilhas antigas, que eram de passeio, para a visitação das cachoeiras, montanhas e rochas. Reconectamos esses trechos para criar nossa corrida " explica Peu Guimarães, sócio-fundador da Icons, agência responsável pela parte técnica e esportiva do BPC.
visual único
Segundo Guimarães, a escolha deste lugar para o evento foi providencial.
" Como este ano só teríamos uma única edição, a gente precisava de um lugar que fosse altamente impactante . A partir de agora, essa trilha está aberta à equipe de guias do parque para passeios turísticos.
O nome da trilha, conta a bióloga Natally Boeborora, guia de turismo no Mato Grosso e mestre em Ciências Ambientais, é uma referência carinhosa a um senhor que tinha uma casa no alto do parque e usava este caminho como passagem (nessa época não era nem trilha).
" Quando o parque foi construído em 1989, o seu Elisário permaneceu morando ali, nunca ninguém procurou tirá-lo. Na época, íamos acampar por lá e adorávamos virar o ano. Bastante tempo depois, ele foi embora. Não sabemos o paradeiro dele " diz Natally, que fez a corrida na trilha do BPC. " Antes da pandemia, a trilha já estava fechada e permaneceu assim pela falta de pessoas para administrar, para cuidar. A última vez que eu a acessei havia sido em 2015. Já não era usada para turismo. A gente tinha muita saudade dessa trilha.
Os corredores que se aventuraram nesta prova tiveram o privilégio de curtir um visual único. Por ser uma trilha na parte alta do parque, foi possível ter visão ímpar dos paredões rochosos. Houve trecho técnico, travessia de rios, matas e solo variado. O final do percurso passou pelos chapadões e desceu para a região das cachoeiras mais famosas do local, como o Véu da Noiva.
As provas no asfalto, na MT-251, que liga Cuiabá à Chapada, surpreenderam. O contraste de cores chamou a atenção, assim como a visão panorâmica de abismos cercados por paredões com cerca de 600 milhões de anos e vegetação típica do cerrado.
Bianca Dallegrave, diretora-executiva de marketing da Olympikus, explica que o desafio de levar a corrida a lugares pouco explorados é a essência do BPC. Não à toa, o lema do circuito é "correr com os olhos".
para desbravar o país
De acordo com Bianca, o festival terá duas edições em 2027: em Urubici (SC), em 4 e 5 de setembro, e em Itamambuca (SP), em 13 e 14 de novembro.
" O Bota Pra Correr nunca foi sobre chegar apenas onde a corrida já está acontecendo. O projeto nasceu justamente como um convite para desbravar o Brasil correndo. Para nós, a experiência vai muito além da performance: é sobre estar em um lugar icônico do nosso país e se conectar com essa experiência " afirma. " Para a Olympikus, esta é uma forma muito concreta de conectar corrida, turismo de natureza e preservação, e de fazer com que o evento deixe algo positivo para quem vier depois.
* A repórter viajou a convite da Olympikus