Venda de veículos cresce 22% em agosto, diz anfavea
O mercado automotivo brasileiro manteve o bom ritmo de vendas no mês passado. Foram ...
O mercado automotivo brasileiro manteve o bom ritmo de vendas no mês passado. Foram emplacados 275 mil carros, caminhões e ônibus, um salto de 22,1% ante agosto de 2025, informou ontem a Anfavea, associação dos fabricantes globais que atuam no país. Foi o melhor resultado de vendas para agosto desde 2013 " 2012 e 2013 foram, respectivamente, os anos de recordes em emplacamentos e em produção ", mas o avanço se dá com um salto nas importações da China, destaque nos carros eletrificados, enquanto a queda nas exportações preocupa. No acumulado do ano, foram 1,9 milhão de emplacamentos, um avanço de 18,4% sobre o número de janeiro a agosto de 2025.
" Esperamos que continue crescendo, mas obviamente, dadas algumas contingências, na nossa visão, esse número terá um arrefecimento. Mesmo assim, sem dúvida, acima de dois dígitos (de crescimento) chegaremos " disse Igor Calvet, presidente da Anfavea, durante entrevista coletiva.
A participação dos veículos eletrificados no total de emplacamentos segue em alta. Em agosto, veículos elétricos e híbridos representaram 24,4% do total das vendas no país. Em igual mês do ano passado, eram 11,8%.
No ano até agosto, já são 372 mil elétricos e híbridos emplacados, 125,8% a mais do que nos oito primeiros meses de 2025. Modelos feitos no Brasil representam 39% desse volume, a maior parte feita com peças que vêm do exterior desmontadas (CKD) ou semidesmontadas (SKD).
Com isso, as importações alcançaram 62,7 mil unidades em agosto, 58,2% acima de agosto do ano passado. No acumulado do ano, foram 406,7 mil automóveis importados, alta de 29,8% ano contra ano " mais da metade veio da China.
A produção de agosto ficou em 271,2 mil unidades, 9,4% acima de igual mês de 2025. Nos oito primeiros meses do ano, foram 1,9 milhão de unidades, alta de 8,5%.
Diretor e sócio da Bright Consulting, consultoria especializada no setor automotivo, Cassio Pagliarini citou a confiança do consumidor e a dinâmica de preços são alguns dos fatores que explicam a trajetória de alta registrada nos setor, puxada pelo avanço dos eletrificados:
" Compradores que antes optavam por seminovos de até um ano e meio de vida, agora estão olhando para veículos chineses novos, que têm mais tecnologia, são eletrificados e estão com preços bastante atrativos. O efeito é que a indústria de veículos novos aumenta e o preço dos seminovos cai.
Já as exportações registaram um tombo 31,7% na comparação com agosto do ano passado. Entre janeiro e o mês passado, foram 294,2 mil veículos exportados, queda de 22,9% em relação ao mesmo período de 2025.
problema na argentina
Segundo Calvet, da Anfavea, o problema está no mercado da Argentina. Do número de veículos a menos que o Brasil exportou na comparação do mês passado com agosto de 2025, 95% deixaram de ir para o país vizinho " maior comprador de carros brasileiros, numa estratégia comercial das fabricantes multinacionais desenhada ainda na década de 1990, baseadas na complementaridade dos mercados. Na Argentina, a concorrência com as marcas chinesas também preocupa.
" O mercado argentino está retraído, mais competitivo, e hoje 95% das quedas das nossas exportações tem como mercado a Argentina. Isso é bastante preocupante para nós. Estamos perdendo participação de maneira muito rápida " afirmou Calvet.
Pagliarini, da Bright Consulting, vê a dependência do mercado argentino para as exportações brasileiras de veículos como um problema estrutural. Para o consultor, as empresas que produzem no Brasil deveriam buscar outros mercados:
" Poderiam ser outros países da América do Sul, mas sabemos que existe um bloqueio geográfico, que é a Cordilheira dos Andes. Precisaríamos ter uma ferrovia ou uma rota de navegação mais econômica do que as existentes hoje. E há também países da África, que teriam condição de importar veículos brasileiros.