Amil recusa proposta e encerra negociação de venda para fundos
Após meses de negociações, o empresário José Seripieri Filho, o Júnior, recusou a proposta ...
Após meses de negociações, o empresário José Seripieri Filho, o Júnior, recusou a proposta de venda da Amil para os fundos de investimento Advent e Bain Capital. A operação era avaliada em cerca de R$ 15 bilhões.
Os detalhes sobre a decisão do empresário foram antecipados pelo colunista do GLOBO Lauro Jardim. Após reunião na manhã de ontem para definir se o negócio sairia ou não, a empresa enviou um e-mail aos cerca de 22 mil funcionários comunicando o encerramento das negociações.
No texto, o Conselho de Administração da Amil afirma que os resultados financeiros e médico-assistenciais registrados pela companhia nos últimos meses "despertaram o interesse de grandes fundos", que apresentaram propostas para adquirir parte ou até mesmo a totalidade da companhia.
Aberta a novas propostas
A carta enviada aos funcionários diz que, após receber as propostas, representantes da Amil conversaram com os investidores, mas que "o processo está encerrado, sem qualquer mudança societária na companhia".
O documento ainda destaca que a empresa continua "aberta a propostas futuras de investimentos minoritários". Um dos impasses na mesa de negociação era justamente que Júnior era resistente à ideia de sair completamente do negócio, enquanto os fundos buscavam 100% da companhia.
A Amil alcançou 3,58 milhões de usuários em julho, segundo dados divulgados pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), um aumento na carteira de 7,6% na comparação com o mesmo período do ano passado. A operadora ocupa a terceira posição no ranking das maiores empresas do setor no país, atrás de Bradesco Saúde e Hapvida.
A empresa encerrou o ano passado com lucro líquido de R$ 5,4 bilhões, sendo R$ 1,9 bilhão oriundo propriamente da operação. O lucro restante contou com R$ 2,1 bilhões de crédito tributário e R$ 1,4 bilhão fruto da Rede Américas, joint venture com a Dasa.
Em 2023, Júnior comprou a empresa da americana UnitedHealth Group por R$ 11 bilhões, sendo R$ 2 bilhões pelo controle acionário da companhia e os R$ 9 bilhões restantes em passivos. Naquele ano, a Amil teve prejuízo de R$ 4,1 bilhões.
" A decisão sinaliza muito mais uma divergência de preço e de estrutura da transação do que qualquer perda de interesse pelo ativo. A Amil passou por uma recuperação operacional importante desde a saída da UnitedHealth, voltou a apresentar resultados positivos e hoje o controlador negocia de uma posição bem mais confortável, sem a mesma urgência de venda " avalia Caroline Sanchez, analista da Levante Inside Corp.
Com sede em Boston, o fundo Advent investe em empresas brasileiras desde o início dos anos 2000, e tem no portfólio empresas como a Natura e o grupo Tigre. Também americano, o Bain Capital já investiu em companhias como Notredame Intermédica (que em 2021 se uniu à Hapvida) e Bionexo, e é dono da rede de churrascarias Fogo de Chão. Os dois fundos foram procurados, mas não comentaram a decisão da Amil.