O centenário do maestro soberano tom jobim
No próximo dia 25 de janeiro, completam-se 100 anos do nascimento do compositor Tom Jobim, ...
No próximo dia 25 de janeiro, completam-se 100 anos do nascimento do compositor Tom Jobim, carioca da Tijuca, um dos maiores brasileiros de todos os tempos " um panteão onde figuram, entre outros, Pelé no esporte, Santos Dumont na aviação e Paulo Freire na Educação. A música "Garota de Ipanema", composta por Jobim e letrada por Vinicius de Moraes em 1962, foi por muito tempo considerada a segunda canção mais executada da história da música mundial, depois de "Yesterday", dos Beatles, com mais de 500 versões em todo o mundo. José Miguel Wisnik, figura importante da música e da literatura brasileiras, diz que "em Tom Jobim se juntam o Brasil e o mundo, o samba e a sinfonia, a mais alta canção e a mais alta poesia". Ele conclui: "Sua obra afirma da forma mais plena a promessa de uma civilização brasileira. Contra as trevas autoritárias e milicianas, não esquecer".
A celebração do centenário de nascimento do artista já começou. Na pequena Piraí, interior fluminense, o projeto Cultura em Movimento: Tom Jobim, Maestro Soberano", idealizado por Maria Lúcia Jardim e Maria Amélia Mello, é voltado para os alunos da rede municipal de ensino, promove livros e palestras sobre o compositor, feitas por gente como Roberto Menescal, outro grande da Bossa Nova, e os acadêmicos Antônio Carlos Secchin e Ruy Castro " este último autor de "O ouvidor do Brasil: 99 vezes Tom Jobim".
Também no início deste mês começou a circular a exposição itinerante "Jobim-açu", com curadoria do jornalista Hugo Sukman e da cineasta Daniela Thomas, que transformou um caminhão em uma espécie de floresta cenográfica para celebrar os 100 anos do grande artista e apresentar ao público a relação do compositor com a Mata Atlântica.
Entre outros eventos em gestação está o lançamento de "Tom Jobim " esse seu olhar", o esperado documentário de Miguel Faria Jr. O cineasta já realizou filmes sobre dois outros grandes talentos da nossa MPB: "Vinicius", sobre Vinicius de Moraes (1913-1980), em 2005, e "Chico: artista brasileiro", em 2015, sobre Chico Buarque.
Mas o ponto central dos festejos deve ser o tradicional Jardim Botânico (JB)carioca, fundado em 1808 e que foi uma espécie de segunda casa do artista. Aliás, a foto ao lado, de autoria da viúva Ana Jobim, mostra o maestro no JB tendo ao fundo uma sumaúma, árvore gigante nativa da Amazônia, que ficou conhecida como a árvore de Tom Jobim, tamanha era sua dedicação a ela. Por sinal, uma das primeiras providências de Sérgio Besserman, presidente do Jardim Botânico, às voltas com a programação do centenário do seu ilustre e assíduo visitante, foi a recuperação da placa que lembra a paixão do artista, ao lado da sumaúma.
É também o Jardim Botânico que abriga o Instituto Antonio Carlos Jobim, fundado em 2001, cuja exposição permanente do maestro é muito visitada, inclusive por estrangeiros. O site, acervo digital criado pelo filho, Paulo Jobim, vem sendo sempre atualizado e, por e-mails e reuniões presenciais, é a base das informações do atendimento às diversas solicitações de pesquisadores, realizadores, artistas, diretores e produtores envolvidos em projetos ligados ao centenário.
Em tempo...
O nosso maestro foi também um grande frasista. Eis aqui quatro delas: "Viver no exterior é bom, mas é uma merda; viver no Brasil é uma merda, mas é bom"; "O Brasil não é para principiantes" e "No Brasil, sucesso é ofensa pessoal". A minha preferida, permitam-me, é um verso da canção "Wave" que diz: "Fundamental é mesmo o amor, é impossível ser feliz sozinho". Viva Tom do Brasil!