Contas do governo têm rombo de r$ 94,9 bi no ano
As contas do Governo Central, que incluem Tesouro Nacional, Banco Central e Previdência ...
As contas do Governo Central, que incluem Tesouro Nacional, Banco Central e Previdência Social, fecharam agosto com déficit primário de R$ 13,6 bilhões, segundo o Ministério da Fazenda. O valor representa o melhor resultado para o mês desde 2021, quando as contas tiveram déficit de R$ 11,782 bilhões.
No acumulado de 2026, as contas continuam no vermelho, com déficit de R$ 94,9 bilhões, pior resultado desde 2024. No mesmo período do ano passado, o resultado era menos negativo, com déficit de R$ 85,9 bilhões. Em 12 meses, o rombo é de R$ 68,7 bilhões, ou 0,53% do Produto Interno Bruto (PIB).
O déficit primário acontece quando as despesas do governo são maiores que suas receitas com tributos e impostos.
Os resultados das contas do governo são importantes para o cumprimento da meta fiscal, que neste ano é de um superávit fiscal de 0,25% do PIB, equivalente a R$ 34,3 bilhões, com banda de tolerância de 0,25 ponto percentual para cima ou para baixo " até zero no limite inferior.
No último relatório de receitas e despesas, divulgado na semana passada, o governo previa déficit de R$ 80,9 bilhões em 2026. Mas parte das despesas não conta para fins de cumprimento da meta, levando a um resultado deficitário depois das deduções de R$ 13,6 bilhões. Como ficou abaixo do limite inferior da meta, o governo precisou contingenciar gastos de R$ 13,6 bilhões para chegar ao saldo zero.
O resultado de agosto foi composto por receita total de R$ 241,961 bilhões, aumento de 5,7% em relação ao mesmo mês de 2025, desconsiderada a inflação. Já a receita líquida, após a repartição com estados e municípios, somou R$ 187,878 bilhões, alta real de 3,5% ante agosto de 2025.
Receita extra de R$ 67,5 bi
As contas do governo têm se beneficiado das receitas extraordinárias decorrentes dos efeitos da guerra no Oriente Médio sobre o preço do petróleo. Em agosto, houve arrecadação de R$ 1,8 bilhão com o Imposto de Exportação, tributo regulatório criado para desincentivar a venda ao exterior de combustíveis que estão sendo subsidiados no país para mitigar os efeitos da guerra. No ano, já são R$ 10 bilhões com o imposto de exportação.
A exploração com recursos naturais subiu 33,1% em agosto, já descontada a inflação, e 18,9% no ano. Segundo o secretário do Tesouro Nacional, Daniel Leal, considerando o imposto de exportação, a venda do óleo da União, os royalties e participações especiais do petróleo, a receita extra do governo federal deve somar R$ 67,5 bilhões este ano.
Em 2026 até agosto, a receita total subiu 5,7% em termos reais ante o mesmo período de 2025, alcançando R$ 2,081 trilhões, e a receita líquida avançou 5,7%, para R$ 1,669 trilhão. Houve contribuição positiva do IOF (24,1%). Mas a arrecadação com dividendos e participações está 61% abaixo do mesmo período de 2025: passou de R$ 35,1 bilhões para R$ 19,3 bilhões.
Já a despesa total somou R$ 201,463 bilhões em agosto, elevação real de 1,9% em relação ao mesmo período de 2025. O maior aumento veio de créditos extraordinários (186,4%), em decorrência das políticas de mitigação dos preços de combustíveis.