Governo prevê investir r$ 3 bi em novo satélite nacional
O governo federal prevê investir até R$ 3 bilhões na construção, lançamento e implantação ...
O governo federal prevê investir até R$ 3 bilhões na construção, lançamento e implantação da nova geração do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC-2), equipamento nacional que deve entrar em operação em 2035. O satélite será usado para defesa, soberania de dados e pesquisa, podendo ainda levar internet a regiões remotas do país.
O início do projeto deve ocorrer já no ano que vem. O Ministério das Comunicações conseguiu incluir as ações relacionadas ao novo equipamento no Projeto de Lei Orçamentária Anual (Ploa) dos próximos anos. A previsão de investimento é de quase R$ 315 milhões nos próximos dois anos, divididos entre o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (R$ 159,7 milhões em 2027) e a Telebras (R$ 155 milhões em 2028).
O SGDC-2 deverá entrar em funcionamento 18 anos depois do seu antecessor, o SGDC-1, o primeiro satélite nacional do tipo, que entrou em operação em 2017 após um projeto estimado de R$ 2,1 bilhões " a troca de guarda ocorrerá justamente pelo fim da vida útil do SGDC-1. No entanto, o contexto que envolve o SGDC-2 é muito diferente.
Desde 2019, quando a SpaceXAI, de Elon Musk, colocou em órbita seus primeiros satélites para conexão à internet, a modalidade ganhou importância estratégica para países " os equipamentos da Starlink foram usados pela Ucrânia no conflito contra a Rússia, por exemplo. O Planalto vê no projeto uma oportunidade para reduzir a dependência de sistemas comerciais estrangeiros e ampliar a capacidade do Estado de apoiar ações de defesa, segurança pública, educação, saúde, inclusão digital e desenvolvimento das regiões remotas.
" Defendemos o futuro do Programa Espacial Brasileiro para garantir mais soberania digital, mais conectividade nas áreas remotas, principalmente nas áreas de defesa, nos pontos de fronteira e também para monitorar nossos minerais críticos " explica o ministro das Comunicações, Frederico de Siqueira Filho.
Atualmente, a Starlink tem mais de 90% do mercado de conexões via satélite da Amazônia Legal. Por um lado, o serviço ganhou força no garimpo ilegal, o que forçou um acordo entre a empresa e o Ministério Público Federal (MPF) para coibir a prática. Por outro, a Justiça Eleitoral vai usar tecnologia da empresa de Musk para transmitir os resultados das eleições em áreas sem infraestrutura convencional de comunicação.
A Telebras procura parceiros privados para a execução do SGDC-2, mas a estatal buscará ter controle total do equipamento e de sua operação, já que o projeto parte da ideia de soberania nacional.
Ao contrário dos equipamentos da Starlink, o SGDC-2 é um satélite geoestacionário, o que significa que ele fica mais longe da Terra: 36 mil quilômetros, contra 500km dos aparelhos da empresa americana. Isso torna o tempo de latência (lapso de comunicação entre o planeta e o equipamento) maior, mas permite cobrir uma área mais ampla do país.
A vida útil prevista do SGDC-2 é de pelo menos 15 anos. (Bruno Romani)