Sábado, 03 de Octubre de 2026

Huawei aposta em loja física para conquistar brasileiros

BrasilO Globo, Brasil 3 de octubre de 2026

Nos últimos anos, com a chegada de carros elétricos de alta tecnologia, o consumidor ...

Nos últimos anos, com a chegada de carros elétricos de alta tecnologia, o consumidor brasileiro mudou sua percepção sobre produtos fabricados na China, antes associados a itens baratos. Na esteira desse movimento, a gigante de tecnologia Huawei consolida seu retorno ao varejo nacional, de olho no mercado premium.
A marca inaugura hoje sua primeira loja autorizada definitiva em São Paulo, no Shopping Center Norte " há pouco mais de um ano, houve um teste com uma pop-up store na Avenida Paulista. A Huawei ainda está presente em cerca de 300 pontos de venda de redes como Magazine Luiza e Fast Shop.
" O mercado automotivo foi um dos grandes responsáveis por desbravar a resistência e mostrar que a China produz itens altamente premium. A Huawei certamente vai se beneficiar dessa receptividade maior da tecnologia chinesa para conseguir disputar o segmento topo de linha " avalia David Kallás, professor do Insper e consultor de gestão estratégica.
Presença física
A Huawei havia parado de vender smartphones no mercado doméstico em 2019, devido às sanções impostas pelos Estados Unidos. Agora, entra em uma arena dominada por Samsung e Motorola nas categorias básica e intermediária, com Apple e Samsung disputando o topo de linha.
A estratégia da chinesa é apostar em um ecossistema focado em dispositivos vestíveis e de áudio, com apelo à saúde e ao esporte. Lançamentos recentes, como a linha de relógios Watch GT 7 e os fones FreeBuds, têm funcionado como um primeiro contato para o usuário.
" Os vestíveis são a nossa principal porta de entrada. Como são produtos agnósticos, que funcionam tanto com Android quanto com iOS, conseguimos encantar o cliente pela qualidade e fazer com que ele evolua na jornada do nosso ecossistema " afirma Diego Marcel, gerente de Relações Públicas da Huawei CBG no Brasil.
Embora seja forte no mercado corporativo (B2B) e na infraestrutura de telecomunicações no Brasil, a Huawei precisa "furar a bolha" para chegar ao consumidor final.
" Experimentamos mercados muito parecidos com o nosso, nos quais a nossa performance é muito boa. No México, onde a operação da Huawei não foi interrompida em 2019, somos hoje uma das marcas mais vendidas. Queremos construir essa mesma presença de longo prazo no mercado de consumo do Brasil " diz Marcel.
Para isso, a Huawei pretende acelerar a chegada de novidades ao país, encurtando a janela entre o anúncio global e a disponibilidade nas prateleiras nacionais.
Especialistas ressaltam que o sucesso depende fortemente da presença física.
" As marcas de tecnologia, hoje, praticamente não têm grande diferencial em usabilidade, então é uma briga pela mente do consumidor. A Huawei é muito forte no corporativo, mas no varejo precisa de espaços de experiência para entrar no rol de consideração de compra das pessoas " diz Maurício Morgado, coordenador do Centro de Excelência em Varejo da FGV Eaesp.
O maior desafio será convencer o consumidor a mudar a marca de seu smartphone. Para isso, a Huawei aposta em diferenciais de hardware. Marcel cita como exemplos o Nova 11 Max, com alta capacidade de bateria, e o topo de linha Pura 70 Ultra, com câmera de abertura variável.
" O on-line é muito importante para quem já conhece a marca e faz a compra direta. Mas para quem está descobrindo a Huawei ou quer testar a câmera antes de investir em um celular premium, a loja física é a nossa vitrine de experimentação. É onde o consumidor vai se encantar " diz o executivo.
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