Csn vende siderúrgica na alemanha por r$ 3 bilhões
A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) fechou na sexta-feira um acordo vinculante para vender sua ...
A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) fechou na sexta-feira um acordo vinculante para vender sua siderúrgica Stahlwerk Thüringen (SWT), na Alemanha, para a espanhola Bipadosa S.L. O negócio é avaliado em € 550 milhões (R$ 3 bilhões) e prevê um período de exclusividade de até dez semanas para a assinatura dos documentos e a conclusão da operação.
A SWT foi comprada pela CSN em 2012, por € 482 milhões (valores da época), em uma estratégia de fortalecimento do segmento de aços longos. A unidade tem capacidade instalada de produção de 1,1 milhão de toneladas de aço por ano.
Agora, a companhia se desfaz do ativo num momento em que tenta reduzir seu endividamento. A CSN encerrou o segundo trimestre com R$ 42,13 bilhões em dívida líquida e alavancagem de 3,49 vezes o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização). O indicador mostra o quanto uma empresa depende de dívida para financiar suas operações: quanto mais elevado, maior o risco financeiro.
Em fato relevante publicado sobre a venda da SWT, a CSN afirma que o negócio ocorre "após longo período de negociação e em linha com os movimentos estratégicos que vêm sendo conduzidos desde o início do ano com o intuito de equacionar em definitivo sua estrutura de capital".
"A potencial alienação das ações da SWT representa mais um passo importante no programa de desinvestimentos da CSN com o propósito de reduzir o seu atual nível de endividamento", acrescenta o comunicado.
‘Impacto isolado’
O anúncio da venda da SWT foi visto como positivo por analistas do banco BTG, mas ainda de "impacto isolado" dado o nível de endividamento da companhia.
"Mesmo após uma potencial redução na dívida líquida, o endividamento permaneceria elevado em termos absolutos, mantendo a relevância da execução de outros desinvestimentos já mencionados pela administração, especialmente nos segmentos de cimento e infraestrutura, além da continuidade da melhora operacional e da disciplina na alocação de capital", escreveram os analistas Lucas Genoso e Rodrigo Cambricoli.
A Bipadosa é a controladora da Megasa, tradicional grupo industrial espanhol que atua no segmento de aços longos na Europa, principalmente na Espanha, em Portugal e na França.
A operação acontece cerca de um mês após Benjamin Steinbruch deixar o comando da CSN e assumir o Conselho de Administração da companhia. Para a cadeira da presidência executiva entrou Fabio Schwartzman, ex-CEO da Vale e da Klabin.
Como mostrou o colunista do GLOBO Lauro Jardim, outra operação na mesa do novo presidente é a venda da CSN Cimentos. No início de agosto, a empresa confirmou ter recebido propostas vinculantes de potenciais compradores. Segundo fontes ouvidas pelo Valor, as ofertas seriam da chinesa Huaxin, de um consórcio entre a brasileira Votorantim e a italiana Cementir, e da brasileira Polimix.