Galeão terá voos para mais 30 destinos e aporte de r$ 1 bi de parceiros
O Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro/Galeão vai receber cerca de R$ 1 bilhão em ...
O Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro/Galeão vai receber cerca de R$ 1 bilhão em investimentos ao longo dos próximos três anos. Os aportes serão feitos por parceiros comerciais privados em áreas como hotelaria, logística e manutenção de aeronaves, entre outras.
Até janeiro, virão ainda voos para 30 novos destinos, com incrementos de frequências, novas rotas e retomadas de linhas sazonais, sendo 12 deles no exterior, com ligações para cidades como Nova York, Dallas, Salta, Lima, Toronto e Montreal, além de ampliação da oferta de voos para locais como Paris, Miami, Lisboa e Frankfurt.
O Galeão está, desde o último dia 6, sob gestão da Aena, gigante aeroportuária espanhola que arrematou o terminal por R$ 2,9 bilhões em leilão no fim de março, substituindo a RIOgaleão, que geria o ativo desde 2014. Como se trata de uma relicitação, possibilitada após mudanças que reequilibraram o contrato financeiramente, a Aena comandará o terminal pelo restante do prazo de concessão, até 2039.
Santiago Yuz, diretor-vice-presidente da Aena Brasil, participou de um evento no Galeão na manhã de ontem para marcar o início da gestão do aeroporto. Ele frisou que a concessionária seguirá trabalhando "no mínimo" até o fim do contrato atual, e que, "se depois, conseguir estender, melhor ainda".
O executivo explicou que os investimentos diretos da Aena ainda não estão definidos. Eles virão em melhorias " que o passageiro deverá perceber já no início de 2027 " em índices de qualidade, aprimorando a infraestrutura e os equipamentos, a exemplo de elevadores, banheiros e sistema de climatização.
" O Galeão é a principal porta de entrada do Brasil, com um grande potencial de crescimento. Temos cerca de R$ 1 bilhão de investimento previsto de terceiros a ser aportado ao longo dos próximos três anos, gerando 3.860 empregos " diz Yuz.
Nessa frente estão projetos, a maior parte já anunciada, como o de um novo hotel de bandeira internacional, com 232 quartos, mas já com a possibilidade de expansão a 426. Terá R$ 90 milhões em aporte e será operado pela bUP. Em paralelo, um centro de testes da BYD, que consumirá R$ 300 milhões, vai ocupar uma área de 184 mil metros quadrados, com a previsão de gerar 1.200 empregos.
A Gol terá um hangar de manutenção de 56 mil metros quadrados no Galeão, fazendo aporte de R$ 100 milhões, com 800 empregos.
Mais ‘low costs’
Já a Hire Capital vai implementar um novo galpão logístico de 120 mil metros quadrados de área bruta para locação, ao custo de R$ 430 milhões, para atender empresas do Rio e do Espírito Santo, e expandirá o já em operação, que passará de 22 mil metros quadrados para 40 mil metros quadrados, com aporte de R$ 54 milhões.
Yuz sublinhou que a Aena vai atuar para atrair novas companhias aéreas, domésticas e internacionais, incluindo low-costs, além de empresas de carga aérea. O Galeão recebeu 17,5 milhões de passageiros em 2025, devendo encerrar este ano com cerca de 19 milhões. O volume representa pouco mais da metade da capacidade atual, de 37 milhões.
Uma das estratégias para atrair companhias, conta Yuz, é integrar o Galeão aos demais 17 aeroportos da Aena no país. Juntos, movimentaram 63 milhões de passageiros em 2025.
" Temos 18 aeroportos e, em sinergia, podemos estimular conexões domésticas com internacionais ou domésticas com domésticas. Já temos um caso de sucesso com a Gol, numa linha que aparece nas telas dos feeds como Congonhas-Galeão-JFK (aeroporto de Nova York), e também para Lisboa. Colaboramos com o que chamamos de vendas cruzadas, e de alguma forma colocamos incentivos que atraem companhias aéreas " explicou o executivo.
O presidente da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Tiago Faierstein, frisou que o setor precisa trabalhar de forma coordenada para fazer o movimento no Galeão e no Rio de Janeiro crescer:
" O Galeão sofreu muito com a pandemia. Com a retomada dos voos internacionais, voltam as conexões, os trechos domésticos. O Brasil é um país grande e não sobrevive apenas com o Aeroporto de Guarulhos. Precisa fomentar outro grande aeroporto internacional. E esse aeroporto é o do Galeão.
O ministro de Portos e Aeroportos, Tomé França, afirmou que a operação coordenada entre Galeão e Santos Dumont vai seguir a redução gradual da restrição de movimento de passageiros estabelecida ao aeroporto central conforme estabelecido pelo acordo firmado com o Tribunal de Contas da União (TCU). Não há, por ora, estudos para uma eventual licitação do aeroporto central do Rio.
Tomé reforçou que o governo vem trabalhando para atrair empresas low cost ou mesmo ultralow cost ao país, ampliando o acesso a viagens aéreas a mais camadas da população. As discussões ocorrem em um grupo de trabalho criado a partir da celebração do Acordo de Liberalização Aérea Sul-Americana (Alas), em julho.
O documento propõe a criação de um mercado comum de aviação entre países da América do Sul, estabelecendo um novo regramento comum. O projeto terá de passar pela aprovação do Congresso.