Plano da farm visa preservar futuro da marca com a cisão da azzas
Com a cisão da Azzas 2154 acertada entre os empresários Alexandre Birman e Roberto Jatahy, ...
Com a cisão da Azzas 2154 acertada entre os empresários Alexandre Birman e Roberto Jatahy, a direção da Farm quer garantir que o futuro da marca não fique à mercê das mudanças societárias. Em entrevista à coluna Capital, o CEO da companhia, Fábio Barreto, contou que a empresa elaborou um planejamento estratégico até 2032 para preservar o rumo de crescimento, independentemente de quem venha a controlar o negócio.
O Farm Rio 2032 levou mais de seis meses para ficar pronto, começou a ser elaborado em 2025 e foi conduzido por Barreto em conjunto com os fundadores da Farm, Kátia Barros e Marcello Bastos, mirando um caminho para a marca que não dependesse das decisões societárias da Azzas.
" Independentemente de qualquer coisa, a gente tinha que ter o nosso norte muito claro dentro da Farm " afirmou o executivo.
PRIORIDADES DEFINIDAS
Barreto explicou que o ritmo de execução do plano pode mudar conforme o cenário societário, mas afirmou que as prioridades da companhia estão definidas. A principal é acelerar a internacionalização da marca, que hoje responde por cerca de 40% das vendas e deverá representar mais de dois terços do negócio em cinco anos.
O plano estratégico Farm Rio 2032 foi traçado antes do acordo de cisão entre Birman e Jatahy, anunciado em setembro, que prevê desfazer a fusão realizada em 2024 entre Arezzo&Co e Grupo Soma.
A reorganização societária, acertada depois de meses de disputas entre os empresários, dará origem a duas companhias independentes: a Arezzo&Co, liderada por Birman, e a Soma, comandada por Jatahy.
A Farm, "joia da coroa" do grupo, passou a ter uma estrutura própria, de capital fechado, com gestão e governança independentes, após a cisão " a Arezzo&Co ficou com 57,4%, enquanto a Soma deteve 42,6%.
A marca chegou a ser avaliada em US$ 1 bilhão (cerca de R$ 5,1 bilhões), cifra que analistas do BTG Pactual consideraram baixa diante de seu crescimento, rentabilidade e expansão internacional. Para o banco, a Farm tem características que a aproximam mais de marcas globais de moda premium do que de varejistas tradicionais brasileiros.
O Morgan Stanley foi contratado para assessorar o processo, que já envolveu contatos com potenciais interessados.
A Azzas, no entanto, informou que não havia decisão de venda nem proposta vinculante recebida.
Nesta semana, a reorganização do grupo avançou mais uma etapa, com a aprovação da operação pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), sem restrições, na quarta-feira. A conclusão da cisão ainda depende de outras condições, incluindo registros na CVM e a listagem das ações da Soma na B3.
Apesar das mudanças no comando societário em curso, Barreto explica que Kátia e Marcello continuarão envolvidos diretamente. Ela permanece à frente da direção criativa global, enquanto ele responde pela operação brasileira. Os dois também atuam como espécies de "guardiões da identidade da marca".
" Nunca perdemos o foco. Sabemos muito bem o que precisamos fazer, estamos certos de que seguimos no caminho certo e vamos nos adaptar a qualquer que seja a decisão societária " disse Barreto.
O executivo assumiu como CEO global da Farm há cerca de cinco meses, mas está ligado à marca há mais de uma década.
Com passagem pela área corporativa do antigo Grupo Soma, o executivo chegou à Farm em 2016 para fortalecer a gestão de uma operação que crescia rapidamente.
Antes de assumir a posição atual, comandava a operação internacional, função agora exercida por Rafaela Neves, baseada em Nova York.