A bola sobe no nbb com um novo cenário
O início da temporada 2026/2027 do Novo Basquete Brasil, o NBB, neste fim de semana, mostrou algo ...
O início da temporada 2026/2027 do Novo Basquete Brasil, o NBB, neste fim de semana, mostrou algo diferente: a diminuição dos clubes que têm no futebol o seu carro-chefe. Para a atual competição, estarão em quadra brigando pelo título nacional o Flamengo, sete vezes campeão do NBB, Corinthians, Cruzeiro e Botafogo.
Além da elite nacional, outros dois clubes estariam na Liga Ouro, que é a divisão de acesso ao NBB. Mas o Vasco, que foi rebaixado na temporada passada, optou por não participar, fazendo com que Fluminense fosse o último representante entre os principais clubes de futebol na modalidade.
A saída do cruz-maltino, no entanto, não é um movimento incomum. A liga principal de basquete sofreu com a debandada de outros dois clubes tradicionais do futebol recentemente. São Paulo, que anunciou o fim do time de basquete em meados de 2025, e Fortaleza, que encerrou a parceria com o Basquete Cearense em maio deste ano.
Série B no futebol impactou
No caso do clube nordestino, impactou diretamente o rebaixamento do time de futebol à Série B do Brasileiro, segundo o presidente do Fortaleza associativo, José Rolim Machado, disse ao GLOBO. A queda derrubou também o orçamento do clube, que se planejara para cortar custos desde a metade de 2025, prevendo uma temporada mais financeiramente modesta.
A parceria havia sido iniciada durante a pandemia, ainda em 2020, quando patrocínios estavam escassos. A ideia era unir a tradição do Basquete Cearense, que está na elite da NBB desde 2012, com a possibilidade de aumentar a torcida nas quadras e alavancar a presença do escudo do Fortaleza em outras modalidades.
A segunda parte funcionou, de acordo com o diretor do Basquete Cearense, Thalis Braga. Mesmo sem citar valores, o executivo disse que a parceria fez saltar em mais de três vezes as vendas de produtos licenciados, como uniformes, bonés, canecas, entre outros. Mas nas quadras não houve uma diferença tão grande com a renda em dias dos jogos.
" O perfil do torcedor de basquete é específico. Ele não tem na sua rotina uma ida a um estádio de futebol. É um consumidor de basquete em si. A gente entendeu que era muito difícil unir o consumo dos dois esportes na semana dele " salientou Thalis Braga.
Ainda assim, ambas as partes saíram satisfeitas, já que mesmo com a diminuição de 15% do orçamento, o time de basquete seguiu com um planejamento que pode manter um elenco competitivo e buscar novas parcerias, sem o vínculo direto a um clube da região.
‘O basquete vale a pena’
O São Paulo, por sua vez, publicou uma nota à época em que desativou a equipe de basquete dizendo que futuros projetos "só serão iniciados a partir da prévia obtenção de recursos novos para a manutenção". Procurado, o tricolor paulista não se manifestou.
Do outro lado, o Flamengo, Corinthians e Botafogo seguem investindo na tradição de seus clubes na modalidade.
" O que segura o projeto é a convicção institucional de que o basquete vale a pena, além da força da torcida, que abraça o time no ginásio e nas redes. Para nós, manter o basquete forte, mesmo com essas limitações, mostra que o esporte olímpico pode ser um ativo de marca e de legado, e não apenas uma despesa " disse o gerente executivo de basquete do Corinthians, Gustavo Podence de Freitas.
" São prioridades de gestões. Vários clubes passam por dificuldades financeiras no futebol, e o basquete, vôlei ou outra modalidade vai para segundo plano " complementou o diretor de esportes olímpicos do Flamengo, Marcus Vinicius Simões.
Até por este motivo, dos quatro clubes na elite, três tiveram receitas superiores a R$ 1 bilhão no último ano. No Flamengo, inclusive, há um esforço localizado entre as modalidades, já que o clube aposta no basquete masculino e no vôlei feminino.
" A gente tem um investimento de R$ 15 milhões para cada uma das duas. Se fosse com um masculino e feminino em cada modalidade, o valor teria que ser dividido. Como a meta é sempre ganhar títulos, por este motivo, focamos em um elenco em cada modalidade " disse o diretor rubro-negro, que comemorou a chegada dos destaques da seleção brasileira Yago e Didi.
O único caso à parte entre os bilionários foi o Cruzeiro, que entrou na modalidade em 2023. Mas o clube, que é SAF, tem na imagem do empresário Pedrinho os recursos financeiros do futebol. Ainda, vem colhendo frutos pelo projeto do associativo.
A equipe que se uniu ao clube Olympico em 2023, logo ganhou o título nacional da Confederação Brasileira de Basketball (CBB) durante a divisão das entidades, que durou até 2025. Agora no NBB, vem em ascensão e, mesmo sem título na temporada passada, se destacou com a entrega de um produto refinado ao público presente nas quadras.
Fomentar iniciativas
Para a Liga, trazer parte desse engajamento para a modalidade seria importante no crescimento do esporte, mas também reforça a possibilidade de um crescimento baseado na gestão.
" Temos interesse em ampliar a participação desses clubes (de futebol). Ao mesmo tempo, entendemos que o desenvolvimento da modalidade passa por fomentar iniciativas de diferentes origens, independentemente da ligação com o futebol. O caminho é ampliar a visibilidade do NBB, fortalecer o relacionamento com clubes e parceiros e demonstrar as oportunidades de público, engajamento e investimento que o basquete oferece. Nosso objetivo é ter uma liga cada vez mais forte e representativa, reunindo diferentes modelos de gestão em torno de um propósito comum: fazer o basquete brasileiro crescer " disse Rodrigo Franco Montoro, presidente da Liga.
Fla e Corinthians perdem
E na abertura desta temporada do NBB, Flamengo e Corinthians foram derrotado. Ontem, no ginásio do Maracanãzinho, o rubro-negro, atual campeão carioca, foi superado pelo Bauru por 82 a 81. O Timão levou a pior diante do Mogi, atual campeão paulista, por 84 a 73, na partida de abertura da liga, no sábado passado.
O Cruzeiro começou levando um susto, mas derrotou o Caxias do Sul por 72 a 61. O Botafogo estreia amanhã, 18h, contra o Flamengo, no ginásio do Tijuca. O clássico será com portões fechados após decisão da Justiça do Rio autorizar o jogo do Vasco e Boca, no Maracanã, e demandar a alteração de local do clássico de basquete, que ocorreria às 20h30, no Maracanãzinho.