Sábado, 31 de Octubre de 2026

Academias têm hoje maior vento a favor da história do setor

BrasilO Globo, Brasil 31 de octubre de 2026

Entrevista

Entrevista
Consolidador do conceito de academias ultra low cost, o executivo americano chefiou por dez anos " de 2013 a 2023 " a Planet Fitness, considerada uma das maiores redes do mundo no segmento. A empresa vale hoje US$ 4 bilhões na Bolsa de Nova York e tem 2,9 mil academias nos EUA e em outros países. Desde o fim do ano passado, o executivo é investidor minoritário da brasileira Panobianco e tem a missão de tentar replicar por aqui a trajetória de expansão de seu antigo negócio. Segundo ele, o mercado fitness local tem a chance de quintuplicar de tamanho diante de tendências como o apetite da Geração Z por exercícios e canetas emagrecedoras.
" O Brasil simplesmente precisa de mais academias " argumenta Rondeau.
Qual foi a estratégia adotada pela Planet Fitness para crescer?
Começamos com algumas academias em New Hampshire, uma região rural, com cidades bem pequenas. Precisávamos descobrir como chegar às massas para ganhar dinheiro cobrando US$ 10 por mês. Primeiro, investíamos pesado em marketing para atrair clientes. Mas o que fez diferença foi, depois de dez anos, franquear o negócio. Os franqueados levaram a marca para fora de New Hampshire e abriram unidades em lugares como Atlanta, Orlando e Miami. Foi aí que o negócio decolou. Esses empreendedores vão aos poucos construindo um negócio próprio e acelerando o ritmo de abertura de lojas.
O valor de US$ 10 ainda é metade do que as academias mais baratas do Brasil cobram. Esse patamar de preço é viável por aqui?
Um dos fatores limitadores aqui é a capacidade de encontrar imóveis maiores. Nos EUA, há grandes espaços comerciais disponíveis, com mais de 2,3 mil metros quadrados. Isso nos possibilitava ter muito mais clientes por unidade. Isso é mais escasso no Brasil. Mas, se começarmos a encontrar espaços comerciais maiores, teremos a oportunidade de testar algumas dessas possibilidades de preço. Afinal, há demanda de mais e oferta de menos nesse segmento no Brasil.
Por quê?
Apenas 5% ou 6% da população frequentam uma academia. Nos EUA, são mais de 25%. E não é que os brasileiros não queiram se exercitar. Simplesmente, o Brasil precisa de mais academias. O mercado pode ser quatro ou cinco vezes maior. A geração Z é um fator impulsionador, assim como canetas emagrecedoras e a reposição de testosterona (TRT). E todas essas tendências convergem para a academia. Estamos diante do maior vento a favor que o setor já viu em sua história.
O perfil de renda da população brasileira não é um obstáculo?
Não. No nosso caso, não somos uma academia de alto padrão. Nossos preços são superiores aos da Planet Fitness, mas não são altos. No caso da Planet Fitness, 25% das suas unidades ficavam em áreas de baixa renda. Algumas delas eram as mais lucrativas da rede.
As canetas não vão inibir a frequência à academia?
Não. Quem usa esses medicamentos não perde apenas gordura, mas também pode perder massa muscular. Por isso, é importante fazer musculação. Acho que é quase como acontece com qualquer suplemento. Você não toma um shake de proteína sem ter acabado de se exercitar.
Como o senhor vê o papel dos chamados agregadores de academias, como os aplicativos Wellhub e TotalPass?
Nos EUA, eles não são bem aceitos, e as grandes redes não aderiram a eles. No Brasil, a situação é diferente. Eles vieram para ficar e terão um papel importante no crescimento do setor.
A Smart Fit tem vantagens competitivas em relação à Panobianco?
Ela tem muitas unidades e um fluxo de caixa expressivo, o que contribui para o reconhecimento da marca. Nós ainda não temos essa dimensão. Mas a Panobianco tem a força do modelo de franquias. (Na Smart Fit, cerca de 80% das unidades são próprias, não franquias). Temos uma centena de empreendedores que conhecem as comunidades e os bairros onde atuam. E foi justamente isso que permitiu à Planet Fitness crescer tão rapidamente. Quando você tem uma grande empresa com unidades próprias, acaba tendo apenas um grupo de gerentes espalhados pelas diferentes localidades. A proximidade que os franqueados têm com suas unidades permite oferecer um nível de serviço que, na minha opinião, é realmente superior.
Quais são as ambições internacionais da Panobianco?
Já entramos no México, com uma unidade. Temos outras três previstas para abrir e esperamos abrir de oito a dez no ano que vem. Depois, começaremos a franquear a marca no México para acelerar a expansão. Também analisamos a Colômbia. Mas ainda existe muito espaço para crescer no Brasil, que, sem dúvida, é nosso foco principal.
O plano é eventualmente abrir o capital na Bolsa, como fez a Smart Fit?
É uma possibilidade bastante concreta, mas o primeiro passo provavelmente seria trazer um fundo de private equity (participação em empresas) como sócio, para ajudar a introduzir práticas de gestão mais sofisticadas e ampliar o uso de análises de dados no negócio. Isso é uma questão de tempo.
Chris Rondeau, ex-ceo da planet fitness
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