Binance sofre maior roubo de criptomoedas da história: us$ 6,3 bi
A Binance, maior corretora de criptomoedas do mundo, foi alvo de um ataque hacker que ...
A Binance, maior corretora de criptomoedas do mundo, foi alvo de um ataque hacker que resultou no roubo de US$ 6,3 bilhões (cerca de R$ 34 bilhões). O episódio já é considerado o maior crime da história do mercado de criptomoedas. A ação aconteceu na quinta-feira e levou aproximadamente 20 minutos.
A natureza exata do roubo ainda não está clara. Mas, segundo a TRM Labs, empresa de pesquisa especializada em criptomoedas, o ataque parece ter sido obra da "unidade de elite de hackers da Coreia do Norte". A Binance afirmou ter "alto grau de confiança" nessa avaliação, baseada em características do ataque semelhantes às de roubos anteriores.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o governo americano está apurando se o ataque partiu da Coreia do Norte.
" Estamos investigando " disse Trump a jornalistas.
A Binance publicou em seu perfil no Facebook que cerca de US$ 3 bilhões em ativos foram congelados em redes blockchain e garantiu que "cobrirá todas as perdas". Em outra publicação, Yi He, cofundadora da empresa, afirmou que os saques devem ser retomados até amanhã.
" Eles (a Binance) estão dizendo que estão garantindo (os saques) ou algo assim, e que a situação está praticamente sob controle. Foi um ataque hacker. Esse é o problema. Sabe, antigamente, você assinava um cheque e sacava o dinheiro. Agora são pessoas diferentes. Nunca mais vemos o dinheiro. Então, sempre achei isso um pouco perigoso " disse o presidente americano.
LIGAÇÕES COM TRUMP
A Binance tem ligações com empresas associadas a Donald Trump. A empresa ajudou a desenvolver uma stablecoin para uma empresa cofundada por Trump e seus filhos. Changpeng Zhao, cofundador e ex-CEO da Binance, foi perdoado por Trump em 2025 após se declarar culpado por não implementar medidas robustas de combate à lavagem de dinheiro.
Para especialistas, apesar de assustador, o ataque de ontem não foi realizado por algum modelo de inteligência artificial "autônomo". O episódio acende um alerta global não pela quebra de tecnologias complexas ou uso de IA, mas pela exploração do elo mais fraco da cadeia de segurança: o fator humano. As investigações preliminares da Binance indicam que o alvo foi o computador de um engenheiro de operações. Como esses profissionais unem o desenvolvimento de software à manutenção da infraestrutura, eles possuem acesso amplo a ambientes críticos, tornando seus equipamentos alvos valiosos para o envio de ordens de saque não autorizadas.
Marcus Bispo, diretor de tecnologia da Vision Cybersecurity, explica que quebrar a criptografia, mesmo com o uso avançado de IA, é tecnicamente muito difícil.
" No caso da Binance, a empresa disse não ter encontrado evidência de vazamento das chaves privadas. Os caminhos prováveis hoje passam por gestão de identidades, riscos associados a terceiros (cadeia de suprimentos) e vulnerabilidades críticas. A IA pode ter sido usada para tornar a engenharia social mais elaborada ou para automatizar e acelerar técnicas de ataque.
Especialistas apontam que o núcleo estrutural das moedas virtuais permanece intacto. O diretor de Relações Institucionais da empresa de cibersegurança TI Safe, Leonardo Cardoso, classifica a ação como o "roubo do século" e descarta a hipótese de uma violação na infraestrutura de registros (a blockchain).
" Eu não acredito que a criptografia tenha sido quebrada. Isso é praticamente impossível com a tecnologia atual. Na verdade, houve acesso por meio de credenciais válidas, tudo indica que invadiram o computador de um funcionário e, a partir daí, fizeram as operações " avalia Cardoso.
VELOCIDADE IMPRESSIONA
A dinâmica da fraude impressionou o especialista pela velocidade com que tudo foi executado. Toda a remoção do dinheiro virtual ocorreu entre 10 e 20 minutos.
Os invasores utilizaram logins legítimos comprometidos para fazer alavancagens, uma espécie de aposta com dinheiro emprestado pela própria plataforma, e tomaram novos recursos em garantia usando a rede Ethereum.
" A coisa foi muito bem engendrada para a execução ser feita em tempo recorde. O indivíduo alavanca posições, pede empréstimo em uma terceira cripto e, quando a segurança tenta reagir, já não consegue congelar a transação principal, restando apenas o que foi usado como lastro " explica Cardoso.
Para o mercado, o incidente expõe um gargalo crítico na proteção de grandes instituições financeiras.
" O grande paradoxo é que uma empresa investe na casa dos bilhões em tecnologia e, por um simples suborno ou vulnerabilidade, o criminoso acessa credenciais válidas. A partir daí, ele realiza ações que para o sistema são operações totalmente legais, pois usam o login e a senha de quem trabalha lá " destaca Cardoso. (Com agências internacionais)