Domingo, 26 de Enero de 2020

A nova era dos pcs dobráveis

BrasilO Globo, Brasil 26 de enero de 2020

Cora Rónai

Cora Rónai
Para quem acompanha tecnologia, a semana passada foi uma festa: com a feira CES a pleno vapor em Las Vegas, todos os dias foram dias de apresentações, especulações e lançamentos de produtos " com uma dose de protesto, para variar. Este ano, cerca de 175 mil visitantes fizeram a peregrinação à Meca dos eletrônicos, onde puderam ver os produtos de quase 4,5 mil empresas e ouvir as palavras de mais de mil palestrantes " entre eles Ivanka Trump, em um fenomenal gol contra da organização. #BoycottCES acabou nos TTs do Twitter, e por justa causa, já que Ivanka não é do meio, não tem nada a ver com a área e só foi convidada por ser filha do presidente.
A CES, tão antenada nos produtos, está deixando a desejar no social, e há tempos apanha pela sua falta de diversidade: há dois anos, por exemplo, não houve uma única mulher nas keynotes, as principais apresentações. O mundo da tecnologia ainda é predominantemente masculino, mas felizmente não (mais) nesse grau.
Como sempre, na área das inovações viram-se mais conceitos do que produtos prontos para o mercado. A velha geladeira inteligente, por exemplo, que há décadas promete informar ao usuário o que está em vias de acabar, continua em cartaz " a cada vez embutindo uma nova tecnologia, mas sempre a um passo da vida real.
Ideias não saem do papel tão rápido quanto gostaríamos. Mas uma que começa a se concretizar é a das telas dobráveis, que começou chamando a atenção em protótipos de smartphones e, aos poucos, dá mostras do seu potencial. Um dos aparelhos que mais chamou a atenção dos jornalistas e dos analistas de mercado na CES 2020 foi o ThinkPad X1 Fold, da Lenovo, um notebook, como o nome indica, dobrável.
Imaginem uma pasta pequena, do tamanho de um tablet. Aberta ao meio, tem uma tela que pode ser ocupada em cima pela tela propriamente dita, e embaixo por um teclado; aberta inteiramente, transforma-se num bom monitor, que pode ser usado com o teclado magnético (e fininho) que a acompanha, como se fosse um desktop. O sistema roda Windows X, estará disponível no segundo semestre e já tem até preço definido (US$ 2,5 mil).
A Intel também está trabalhando em um aparelho semelhante, o Horseshoe Bend, que foi apresentado na CES, mas ainda não tem data para chegar ao mercado. O modelo da Intel, desdobrado, vira um monitor de 17,3 polegadas. Outra que vai pelo mesmo caminho é a Dell, que mostrou o protótipo do seu projeto Ori (de origami).
O interessante com esses sistemas é que eles não são tablets ou celulares. São PCs de verdade, usando sistemas operacionais de PC, com todo o poder de processamento de PCs, com monitores que os tornariam trambolhos grandes e pouco práticos se não pudessem ser dobrados.
Um conceito que há poucos anos parecia mera curiosidade da indústria de smartphones adquire status de realidade no mundo dos notebooks " onde, inclusive, faz mais sentido.
Esses primeiros computadores dobráveis ainda estão chegando, ainda serão caros e raros por uns tempos, mas logo farão parte do cotidiano. Basta lembrar que, há 20 anos, as maiores TVs de tela plana tinham 42" e custavam US$ 15 mil.