Sábado, 27 de Noviembre de 2021

Os perrengues de quem vai ao estádio na pandemia

BrasilO Globo, Brasil 27 de octubre de 2021

Bons tempos em que a dor de cabeça da ida ao estádio começava com um cruzamento bizarro do lateral ...

Bons tempos em que a dor de cabeça da ida ao estádio começava com um cruzamento bizarro do lateral ou com um bote equivocado do volante. Em tempos de pandemia, o "estresse", necessário para conter o coronavírus, dá-se muito antes da bola rolar e transforma a experiência da arquibancada em teste de resistência. Na volta gradativa do público aos estádios, a torcida precisou se adaptar a novas rotinas e preocupações, que vão se repetir hoje, em noite de boa presença no Maracanã.
O primeiro desafio é se submeter ao cotonete do teste de antígeno " hoje apenas para aqueles cuja imunização se limita à primeira dose. Os totalmente vacinados estão desobrigados. É nela que o torcedor sente o primeiro impacto no bolso: apesar do convênio de clubes com laboratórios, precisa-se desembolsar cerca de R$ 80 para estar apto. E nem estão contemplados aqui gastos para ir ao local do teste. Tudo para obter o ingresso e, com ele, a pulseira " um passaporte para a emoção do estádio, exibida no pulso como troféu por dias.
Por falar em valores, eles não estão convidativos: haverá rubro-negros hoje que gastaram R$ 1 mil para ir ao Maracanã " mais comida e outras despesas, sem direito a cashback por passe e finalização errados.
Comprar o ingresso é uma coisa, tê-lo em mãos é outra bem diferente. E nem adianta ser sócio-torcedor. O cartãozinho não dribla o protocolo, que exige a retirada dos tíquetes com antecedência em alguns pontos selecionados " mais fila, mais tempo, mais energia...
" No laboratório, só tinha gente com a camisa do Vasco " recorda o cruz-maltino Vinícius Lima, que foi à partida contra o Goiás. " Peguei uma fila enorme na loja do clube na Tijuca e só consegui entrar em São Januário depois dos 30 minutos de jogo, perdi o primeiro gol, do Morato.
Dentro do estádio, os perrengues são outros, principalmente nos setores mais populares, onde estão as organizadas (encontrar alguém de máscara é brincar de "onde está Wally?")
Existem, sim, uns poucos que mantêm a proteção do apito inicial ao final. Assim como há aqueles que só fingem se preocupar com o vírus quando passam pela fiscalização. Mas a maioria oscila entre esses polos, incorporando ou dispensando a máscara de acordo com as circunstâncias.
" Fui de cadeira social ao Vasco x Coritiba. Teve um cara que sentou atrás de mim e passou o jogo inteiro de máscara, direitinho. Mas toda vez que ele queria xingar o juiz, ele a tirava para se fazer ouvir. E eu embaixo com aquela chuva de saliva em cima " conta o cruz-maltino Sandro Barreto. " Se não fosse na pandemia, não estaria nem aí, mas acabei mudando de lugar...