Jueves, 22 de Febrero de 2024

Golpistas usam o carnaval para vender ingresso e credencial

BrasilO Globo, Brasil 13 de febrero de 2024

Em tempo de carnaval, os golpistas também buscam fazer a festa no Rio. Da venda de ...

Em tempo de carnaval, os golpistas também buscam fazer a festa no Rio. Da venda de credenciais e de ingressos falsos para os desfiles do Grupo Especial à comercialização de bilhetes de camarotes que jamais serão entregues, passando pela cobrança extorsiva feita por maus taxistas e motoristas de aplicativos, turistas, cariocas e fluminenses precisam abrir bem os olhos nessa época de folia. Só entre sábado e ontem, seis pessoas foram presas e uma sétima passou a ser investigada por golpes.
Um dos casos envolveu Lívia da Silva Moura, irmã do ex-jogador de futebol Léo Moura " que nada tem a ver com o golpe nem é alvo de investigação. Após ter tido a prisão decretada pelo comércio de ingressos falsos para o Rock in Rio, em 2022, ela voltou a ser investigada mais uma vez pela Polícia Civil. Lívia foi ouvida na 19ª DP (Tijuca), ontem, por suspeita de estar envolvida na venda de falsos ingressos para um camarote da Marquês de Sapucaí.
Segundo o RJ TV, da Globo, pelo menos 24 pessoas procuraram a delegacia alegando ter comprado de Lívia, pelo preço de R$ 4.500, ingressos duplos que jamais foram entregues. Após ser ouvida, Lívia foi liberada, já que não havia flagrante ou mandado de prisão em nome da suspeita. Segundo as denúncias, Lívia chegou a fazer videochamadas da área de credenciamento dos camarotes para conferir credibilidade ao golpe.
Central clandestina
Outros dois golpes praticados por diferentes quadrilhas também são investigados pela Polícia Civil. Num deles, os investigadores prenderam três pessoas e fecharam, no sábado, uma central clandestina de produção de credenciais, que funcionava num shopping da Zona Sul. Os documentos falsos dariam acesso ilegalmente à Avenida durante os desfiles do Grupo Especial. Segundo as investigações, donos de credenciais legítimas forneciam ou vendiam o QR Code, que funcionava como um passe. Na loja, o código era replicado várias vezes, e as falsificações eram montadas com as fotos dos "credenciados".
Ainda no sábado, policiais civis da 14ª DP (Leblon) prenderam três homens em flagrante que tentaram retirar ingressos para um camarote da Sapucaí por meio de procurações falsas. Eles foram detidos num hotel em Copacabana, na Zona Sul do Rio. Os agentes constataram que eles adquiriram os ingressos utilizando cartão de crédito em nome de outra pessoa.
Outros golpes, porém, não chegam a se transformar em caso de polícia. É o caso das tentativas de extorquir dinheiro de turistas, especialmente estrangeiros. São situações como a de bebidas cobradas mais caro do que aparece no cardápio, taxistas que tentam receber a mais do que está no relógio e o flanelinha que cobra um preço extorsivo por uma vaga. Os exemplos se multiplicam pela cidade.
Entre os principais motivos de queixa são as tentativas de cobranças por ‘’tiro’’ por parte de taxistas comuns pelos visitantes na Rodoviária Novo Rio e no Aeroporto Santos Dumont e do Internacional Tom Jobim, principalmente à noite, fins de semana e feriados.
" Um taxista queria cobrar R$ 250 para nos levar do Aeroporto Internacional a Copacabana. Pesquisamos em aplicativos e fizemos a viagem por R$ 60. Mas foi algo isolado. A experiência, no geral, foi maravilhosa " diz o português Fabio Samora, que passou uma semana no Rio com a esposa, Violeta Pinto Leite, e pretende voltar ainda este ano.
Na saída da Rodoviária Novo Rio, visitantes são abordados por supostos representantes de motoristas de aplicativos oferecendo facilidades para conseguir um carro.
" Nossos carros ficam aqui bem perto. Você pode até tentar pedir pelo aplicativo normal. Mas com o trânsito do rush, os motoristas vivem cancelando " disse um dos intermediários ao abordar a equipe do GLOBO.
Aceitar a oferta desses serviços pode se revelar uma cilada. Em uma visita ao Rio em 2022, a relações-públicas Mariana Elias, de 27 anos, pegou um desses carros não cadastrados. O valor combinado pela corrida no cartão de crédito até Copacabana foi de R$ 80. Mas a máquina estava fraudada com o auxílio de um adesivo e acabaram sendo descontados R$ 800.
" Primeiro tentei pagar com Pix, o motorista disse que ainda não tinha se cadastrado. A solução foi o cartão. Com o registro de ocorrência, consegui cancelar o desconto. Foi um susto. Poderia ter acontecido em qualquer lugar, mas foi no Rio " disse Mariana.
Outra dor de cabeça são os flanelinhas. No Pão de Açúcar, existem cerca de 20 vagas do Rio Rotativo (a R$ 2) próximas à Praia Vermelha controladas por flanelinhas que ficam com as chaves para manobrar os carros e cobram no mínimo R$ 20. Mas o preço pode ser muito maior para estrangeiros: bastou um repórter do GLOBO perguntar em inglês quanto custaria uma vaga para receber outro valor: R$ 100. Após a recusa do pagamento, veio uma nova oferta R$ 50.
Com dois amigos de Manaus para o carnaval, o estudante manauara Luigi Maia, de 23 anos, reclamou do assédio de um vendedor de caipirinha em Ipanema, que segundo ele, tentou cobrar mais pela bebida.
" Na primeira dose, ele cobrou R$ 10. Comprei para ajudar. Na terceira, ele queria cobrar R$ 30, mas eu ainda estava sóbrio. Claro que não aceitei. Não colou. Paguei o que acertei de primeira " conta Luigi.
*Estagiária sob orientação de Leila Youssef
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