Unimed ferj fecha acordo com ans para reequilibrar contas
Imersa em uma nova crise, com mais de R$ 2 bilhões em dívidas com hospitais e clínicas, a ...
Imersa em uma nova crise, com mais de R$ 2 bilhões em dívidas com hospitais e clínicas, a Unimed Ferj ficará livre de sanções por pelo menos um ano e dois meses para reequilibrar as contas. O prazo foi estipulado em acordo firmado em dezembro entre a operadora e a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), como revelou Luciana Casemiro no blog da colunista do GLOBO Míriam Leitão.
Nesse período, a ANS vai flexibilizar regras para que a Unimed Ferj tente regularizar sua contas. Segundo a Associação de Hospitais do Estado do Rio (Aherj), há R$ 1,6 milhão do passivo herdado da Unimed-Rio e mais de R$ 400 milhões de faturas mensais para estabelecimentos de saúde sem pagamento desde a migração da carteira, há nove meses.
No documento, a ANS exige que a Unimed Ferj apresente a "completa regularização da contabilidade" até 31 de março de 2026, "em especial a baixa de adiantamentos de prestadores e fornecedores". O descumprimento dos termos pode resultar em multa de R$ 1 milhão.
" É uma flexibilização para que a empresa tente sanear suas dívidas " diz Vera Monteiro, professora da FGV Direito SP.
Segundo a agência, as garantias de equilíbrio econômico-financeiro "são cruciais para as operadoras".
Por causa das dívidas, clínicas e hospitais do Rio preveem a possibilidade de descredenciamento caso a operadora não se comprometa a quitá-las. A Rede D’Or deixará de atender clientes da Unimed Ferj a partir de 18 de fevereiro. O plano de saúde afirma desconhecer os valores.
O acordo estabelece ainda que, em caso de descredenciamento de prestadores, a operadora tem 30 dias para contratar uma opção compatível.
Especialista em Direito à Saúde do escritório Vilhena Silva, o advogado Rafael Robba destaca outra flexibilização do acordo: a Unimed Ferj não terá de suspender a venda de planos. Essa medida é tomada pela ANS quando o Índice Geral de Reclamações (IGR) fica muito alto e é identificado risco assistencial aos usuários.
Pelo acordo, a agência se compromete a não aplicar essa sanção até março do ano que vem. Mas a Unimed Ferj será obrigada a manter o IGR em patamar compatível com a média geral apresentada pelas demais operadoras. Hoje, o índice da empresa é de 448,7, o décimo maior do país.
" A questão é se a Unimed conseguirá garantir atendimento aos usuários " diz Robba.
Vera, da FGV, diz que, sem o acordo, poderia ocorrer a liquidação da operadora, "o que geraria mais transtornos".
Hospital fecha
A Unimed Leste Fluminense vai encerrar as atividades do hospital de São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio, em 1º de fevereiro. Um comunicado a funcionários e prestadores de serviço diz que o fechamento se deve a motivos "assistenciais e institucional". O hospital é a antiga Casa de Saúde Santa Maria, comprada pela operadora em 2015. Lá há emergência, UTI e centro cirúrgico neonatal e pediátrico.
Ontem os pacientes pediátricos foram transferidos para o Hospital Itaipu, em Niterói. A seguir serão os adultos.
A Unimed Leste Fluminense atende 119 mil usuários em Niterói, São Gonçalo, Itaboraí, Maricá, Rio Bonito, Tanguá e Silva Jardim.
Pelos dados da ANS, a operadora encerrou o terceiro trimestre de 2024 com receita de R$ 718 milhões, contra despesas com atendimento de R$ 763 milhões. Somados os gastos administrativos, os custos passam de R$ 831 milhões.
Os funcionários serão demitidos e os prestadores de serviço terão o contrato encerrado. O número de profissionais afetados não foi informado.
Procurada, a operadora não se manifestou até o fechamento desta edição.