Jueves, 26 de Marzo de 2026

Guerra comercial fará pib global ter menor avanço desde a covid

BrasilO Globo, Brasil 4 de junio de 2025

A economia global terá o crescimento mais fraco desde a recessão causada pela pandemia da ...

A economia global terá o crescimento mais fraco desde a recessão causada pela pandemia da Covid-19, prevê a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). A organização, com sede em Paris, cortou drasticamente suas projeções para o PIB mundial e para a maioria das principais economias do G20, citando como causa principal o impacto da guerra comercial desencadeada pelo presidente americano, Donald Trump.
A organização diz que as perspectivas econômicas globais estão enfraquecendo, com barreiras substanciais ao comércio, condições financeiras mais restritivas, diminuição da confiança e maior incerteza política. A OCDE estima que o crescimento global deve ser de 2,9% em 2025 e 2026, ante 3,3% em 2024. Desde 2020 o PIB mundial não cresce abaixo de 3%. O PIB chinês avançará menos, mas o crescimento dos Estados Unidos desacelerará de forma particularmente acentuada, caindo de 2,8% no ano passado para apenas 1,6% em 2025 e 1,5% em 2026.
ÍNDIA CRESCERÁ MAIS
A OCDE diz que as incertezas e o protecionismo estão aumentando as pressões inflacionárias, e as políticas de Trump se tornaram o problema mais urgente para a economia global.
" As perspectivas econômicas enfraquecidas serão sentidas em todo o mundo, com quase nenhuma exceção. Menor crescimento e menos comércio afetarão a renda e desacelerarão a criação de empregos " afirmou o economista-chefe da OCDE, Álvaro Pereira.
A OCDE prevê que a Índia terá o maior crescimento de 2025 (6,3%) e de 2026 (6,4%). O PIB chinês deve crescer 4,7% este ano, desacelerando para 4,3% no ano que vem. A organização estima que o Brasil crescerá 2,1% em 2025 e 1,6% em 2026.
A organização também alertou que os riscos fiscais estão se intensificando em todo o mundo, com pressões "enormes". E pediu que os governos reduzam os gastos não essenciais e aumentem as receitas ampliando a base de arrecadação tributária.
A OCDE, que reúne 38 países do mundo desenvolvido, divulgou seu relatório justamente quando os ministros de seus países-membros estarão em Paris para um encontro anual. Entre as principais autoridades do comércio global esperadas estão o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, e o comissário de comércio da União Europeia, Maros Sefcovic. Lin Feng, representante do Ministério do Comércio da China, também deverá participar.
"Acordos para reduzir as tensões comerciais e diminuir tarifas e outras barreiras ao comércio serão fundamentais para reaquecer o crescimento e os investimentos, além de evitar a alta dos preços. Essa é, de longe, a prioridade mais importante de política econômica", afirma o relatório.
Ainda assim, a organização avalia que, mesmo que Trump revertesse agora sua política tarifária, os benefícios em termos de crescimento e redução da inflação não se concretizariam ed imediato, devido ao impacto persistente da elevada incerteza em relação às políticas adotadas.
DÉFICIT AMERICANO
Sobre os EUA, a OCDE disse que restrições à imigração e redução significativa da força de trabalho federal se somam ao impacto negativo das políticas comerciais. E alertou que o déficit orçamentário americano deve aumentar ainda mais, já que o efeito da atividade econômica mais fraca superará os cortes de gastos e as receitas geradas pelas tarifas.
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